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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Uma outra história de amor de Rubens Lemos

Lucinha, minha irmã mais velha, deixou o depoimento abaixo em forma de comentário no post anterior.

Por Lúcia Irene Reali Lemos

Daniel, meu irmão. Excelente depoimento. A história que nosso pai viveu com tua mãe foi intensa e graças à ela hoje posso conviver contigo, Kênia e Alice. Eu morava em Natal, na casa de tia Miriam, quando você nasceu. Me recordo muito bem...

Há verdade em todo teu texto. Como tua irmã mais velha, sinto muito que tenhamos que nos expor tanto todas as vezes em que tentam nos fazer invisíveis e cutucam nossas feridas.

Sou Lucia Irene Reali Lemos (50), nascida no dia 09 de julho de 1962, em Londrina,Paraná.
(Mãe de Camillo (32), Juliana (28) e João Miguel (26), avó de João Henrique (12) e Luana (8), e companheira, há 11 anos de Angelo Silva)

Primeira filha do jornalista e radialista Rubens Manoel Lemos e da Sra.Maria Helena Reali Lemos, enfermeira aposentada,
casados no Civil (Cartório de Registro Civil -1º Ofício, Rua Pio XII, 65 - Centro - Londrina - PR - CEP: 86020-380)
no dia 05 de setembro de 1961 e no religioso (Igreja Presbiteriana Independente de Londrina) no dia 06 de setembro de 1961.

Dessa união nasceram meus dois irmãos: Marcos Wilson Reale Lemos(49) nascido em 18 de dezembro de 1963 em Londrina, Paraná e Fábio Cesar Reali Lemos(45), nascido em 28 de maio de 1967, em Natal, Rio Grande do Norte.

Esclareço que minha mãe não é falecida, hoje ela tem 73 anos e reside em Londrina.Ela e meu pai nunca se divorciaram,
quando meu pai faleceu (04 de junho de 1999) ele ainda era legalmente casado com minha mãe.

Portanto, se formos seguir
os padrões da hipócrita sociedade em que vivemos, tenho muitos outros irmãos "ilegítimos" e nem por isso e tão pouco os renego:

Sou irmã de Rubens Manoel Lemos Filho, Ana Yasmine Catarina Melo Lemos, Camilo Emanuel Melo Lemos, e Daniel Dantas Lemos, Juan Ernesto, e com certeza,de mais uns três que não se revelaram, ainda...

Assim como também sou tia de 6 meninas e 3 meninos.

E muita, muita história de nosso pai com a gente pra contar.

- Tem uma passagem na minha infância que eu nunca esqueço: em 1974 o país teve um surto de meningite, eu tinha 12 anos e fui acometida pela doença, dos 11 casos em Londrina , eu fui um deles - fiquei entre a vida e a morte durante 40 dias - internada no Hospital São Leopoldo - onde minha mãe trabalhava como enfermeira. Minha tia Lucia Reali (irmã de minha mãe) que trabalhava no Banco do Brasil, conseguiu passar um "telex" para Natal e avisaram meu pai,ele foi à Londrina com autorização da polícia para me ver (ele não podia sair da cidade, estava em liberdade vigiada), meu pai chorou muito e me entregou, (mesmo sabendo que eu não podia me alimentar) um pacotinho de balas de gomas coloridas que trazia no bolso de uma jaqueta azul marinho que usava. Foi o doce mais doce em toda a minha vida...Passei anos acreditando que foi ele que trouxe o remédio que me curou... Nos momentos de carinho ele me chamava de "Kiki" diminuitivo do apelido de Toquinho, apelido esse pelo qual, até hoje, sou chamada pelos meus irmãos Marcos e Fábio... e alguns primos e primas.

Viu? Há muito ainda pra se recordar.

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