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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Segurança afirma que pessoas foram barradas em boate de Santa Maria, "mas foi questão de segundos"

No UOL

O segurança Roberto Cardoso Tavares, 45, recebeu alta do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, nesta sexta-feira (1º). Ele trabalhava na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na noite do incêndio que matou 236 pessoas. Segundo ele, no princípio da confusão, algumas pessoas foram barrados na saída, pois os seguranças não sabiam do que se tratava, mas foi tudo muito rápido.



"O que houve é que quando começou, quando os primeiros tentaram sair, acharam que era uma briga, uma confusão. Daí barraram por causa da comanda. Mas não foi por isso que ocorreu a tragédia. Não seriam três seguranças que estavam na porta que barrariam toda aquela gente. Foi questão de segundos. Barraram um, em seguida já viram o caso e liberaram, passaram a ajudar todos a saírem o mais rápido possível", contou Tavares em entrevista ao UOL.

De perto da porta, os seguranças não tinham contato visual com o palco, segundo ele. Logo, não tinham como saber do incêndio. Mas assim que perceberam o que estava acontecendo, liberaram todos e passaram a ajudar na saída.

"Eu estava perto da saída, não via muito bem o palco. Quando começou, achamos que era briga, depois vi pessoas já caídas e comecei a tirar o máximo de gente que eu conseguia de dentro da boate. Vim puxando todos que conseguia. Tinha gente caída pelo chão, gente correndo, gente muito assustada com o que havia. Fui puxando todos", repetiu.

O segurança acredita que conseguiu tirar do incêndio cerca de 50 pessoas. Sem ferimentos tão graves, Tavares foi internado por inalar a fumaça tóxica. Ele passou mal na tarde de domingo e foi transferido para Porto Alegre em seguida.

"À tarde comecei a passar mal. Faltou ar, fechou o pulmão. Mas acho que a equipe toda [da segurança] salvou mais de 100 pessoas. Pena que tive colegas que morreram. Foi algo muito triste, algo que jamais se imaginaria", disse.

Para Roberto, não houve superlotação da casa ou, pelo menos, ele disse que houve dias em que a boate já teve mais gente. "A boate estava com os números normais de gente. É que era uma festa universitária. Os cursos se juntavam para fazer a festa chamada 'Agromerados'. Posso dizer que foi um dia normal, que já teve vezes em que a boate recebeu mais gente", finalizou.

Ao fim da rápida conversa com a reportagem do UOL --pois ainda se recupera dos efeitos da fumaça tóxica e, ao falar muito, acaba provocando tosse-- ele disse: "nasci novamente".

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