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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Polícia para quem: no Carnaval de Recife, cenas de violência policial

Uma jornalista que estava no Recife Antigo para comemorar o Carnaval na noite de sexta para sábado flagrou cenas inexplicáveis de violência policial.
Abaixo o seu relato e o vídeo em que registrou a ação policial:



Não sei o que ele fez...
Ontem fui ao Marco Zero para a abertura do Carnaval do Recife. Já resignada a não beber, fui de carro. Estacionei e segui pela Rio Branco. Por volta das 20h. Muita gente ainda chegava, Do telão ao longe vi Naná Vasconcelos fazer os agradecimentos por ser um dos homenageados da festa. Atravessei uma multidão sozinha. Encontrei minha amiga e enquanto decidíamos o nosso destino naquela noite, um episódio ao lado chama a atenção.
O que testemunhei foi o rapaz dizendo “não precisa empurrar”. Parece que ele tentou entrar nos bastidores do palco principal sem os devidos salvos-condutos (crachás, pulseiras, etc.). Enquanto ele dizia isso, um outro segurança do lugar ajudou seu parceiro a empurrar o rapaz.
Deus sabe de onde, apareceu um grupo de PMS (uns oito ou dez) e resolveu tomar conta do caso. Os caras partiram para cima do rapaz, deram as chaves de braço que aprenderam nos treinamentos para serem cada vez mais os donos da voz e colocarem o rapaz dentro de uma roda.
O que se passou em seguida é o que está no vídeo. Soldados batem no moço. Depois um deles, talvez o mais importante, resolve dar um chute no sujeito da ação. Uma mulher que estava por ali bate no PM com uma bolsa (dizendo para ele não bater no rapaz). O PM não gostou da interferência, chega perto da mulher e pergunta: “Você sabe o que ele fez?”. Ela não sabe... Possivelmente, ele também não sabe.
No movimento da roda parece que outros “protetores dos cidadãos” descarregam um onda de pancadaria no coitado, que já havia gritado que aquilo era abuso de autoridade. Quase ninguém ouviu. O Carnaval do Recife acabara de ser aberto pelas autoridades municipal e estadual.
A policia levou o rapaz. Tentei acompanhar no meio da multidão. Mas perdi o grupo de vista. A essa altura, estava tremendo. De raiva, de indignação. Tinha levado minha máquina fotográfica para registrar a alegria do carnaval, com suas figuras criativas de roupas extravagantes.
A violência policial me deixou triste. Voltei para casa e perdi todos os shows do Marco Zero da sexta-feira de Carnaval.
Fico pensando, como deverá estar aquele rapaz???

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