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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O que Rosalba deveria aprender com Lincoln

Por Fábio Farias
No Diário de um repórter

rosalba e lincoln

Que Carlos Augusto Rosado e Rosalba governam o RN como se estivessem Mossoró, isso já não é nenhuma novidade. Sem um mínimo traquejo na articulação política e sem dialogar nem com os poderes legislativo e judiciário – que dirá com os movimentos sociais - o Governo se enrola em crises que, no fundo, poderiam ter sido evitadas.

Uma ida ao cinema talvez ajudasse o casal a resolver esse problema do Governo. O filme Lincoln, que trata de toda a negociação para que fosse aprovada a 13ª emenda na Constituição dos Estados Unidos e que garantiu o fim da escravidão, é um ótimo dever de casa para ambos.

Isso porque, no século 19, nos Estados Unidos, o conceito de igualdade racial era visto como absurdo pela população e por políticos conservadores. Negar qualquer direito civil a um negro era, para eles, um ato de normalidade. Os que defendiam paridade civil e política eram vistos como "radicais'.

O filme retrata a articulação do presidente Lincoln que usou da guerra civil norte-americana como pretexto para aprovar a emenda. O presidente se aproveitou da sensação que havia na época de que a libertação dos escravos interromperia a guerra quando que, de fato, a ela já estava prestes a acabar. Ele adiou o término do conflito para garantir os direitos civis aos negros.

E foi além disso. Para conseguir passar a emenda, precisava de aprovação de dois terços do Congresso. O presidente visitou, pessoalmente, parlamentares opositores para convencê-lo da importância de passar seu projeto e chegou ao ponto de trocar o apoio  por cargos públicos.

Ao final, por dois votos, conseguiu a maioria necessária que garantiu o fim de um dos maiores abusos aos direitos humanos já cometidos, em uma sociedade extremamente conservadora e baseada nos princípios de uma suposta superioridade racial branca.

Coisa mais difícil – e muito mais nobre – do que os projetos que a governadora tenta passar na Assembleia Legislativa.

Aliás, vai além do inexplicável aumento da arrecadação que o Governo teve, com a iniciativa de corte de verbas para os poderes e a insistência quase que pueril em não aplicar o plano de cargos e salários dos servidores.

O casal mais poderoso do RN tem de aprender que, em um sistema republicano, não é com truculência que se governa. Mas com diálogo. E nisso o filme Lincoln pode ser uma bela lição.

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