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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O que Rosalba deveria aprender com Lincoln

Por Fábio Farias
No Diário de um repórter

rosalba e lincoln

Que Carlos Augusto Rosado e Rosalba governam o RN como se estivessem Mossoró, isso já não é nenhuma novidade. Sem um mínimo traquejo na articulação política e sem dialogar nem com os poderes legislativo e judiciário – que dirá com os movimentos sociais - o Governo se enrola em crises que, no fundo, poderiam ter sido evitadas.

Uma ida ao cinema talvez ajudasse o casal a resolver esse problema do Governo. O filme Lincoln, que trata de toda a negociação para que fosse aprovada a 13ª emenda na Constituição dos Estados Unidos e que garantiu o fim da escravidão, é um ótimo dever de casa para ambos.

Isso porque, no século 19, nos Estados Unidos, o conceito de igualdade racial era visto como absurdo pela população e por políticos conservadores. Negar qualquer direito civil a um negro era, para eles, um ato de normalidade. Os que defendiam paridade civil e política eram vistos como "radicais'.

O filme retrata a articulação do presidente Lincoln que usou da guerra civil norte-americana como pretexto para aprovar a emenda. O presidente se aproveitou da sensação que havia na época de que a libertação dos escravos interromperia a guerra quando que, de fato, a ela já estava prestes a acabar. Ele adiou o término do conflito para garantir os direitos civis aos negros.

E foi além disso. Para conseguir passar a emenda, precisava de aprovação de dois terços do Congresso. O presidente visitou, pessoalmente, parlamentares opositores para convencê-lo da importância de passar seu projeto e chegou ao ponto de trocar o apoio  por cargos públicos.

Ao final, por dois votos, conseguiu a maioria necessária que garantiu o fim de um dos maiores abusos aos direitos humanos já cometidos, em uma sociedade extremamente conservadora e baseada nos princípios de uma suposta superioridade racial branca.

Coisa mais difícil – e muito mais nobre – do que os projetos que a governadora tenta passar na Assembleia Legislativa.

Aliás, vai além do inexplicável aumento da arrecadação que o Governo teve, com a iniciativa de corte de verbas para os poderes e a insistência quase que pueril em não aplicar o plano de cargos e salários dos servidores.

O casal mais poderoso do RN tem de aprender que, em um sistema republicano, não é com truculência que se governa. Mas com diálogo. E nisso o filme Lincoln pode ser uma bela lição.

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