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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O que a escolha do Quinto Constitucional diz sobre promiscuidade entre poderes

Por Dinarte Assunção
http://dinarteassuncao.wordpress.com/2013/02/16/o-que-o-quinto-constitucional-diz-sobre-a-promiscuidade-entre-nossos-poderes/


E eis que temos um novo desembargador.

Quarto mais votado pelos advogados, e segundo mais preferido pelo pleno do Tribunal de Justiça, Glauber Rêgo teve a sorte de ser sobrinho de Getúlio Rêgo e ter caído nas graças da governadora Rosalba Ciarlini.

Percebem que a maioria não o quis.

Mas se lembrem igualmente que não vivemos em um território onde os desejos da maioria são soberanos.

Glauber não foi o mais votado. Não foi o mais eleito. Mas será desembargador.

É um processo de escolha típico das nossas instituições, que têm há muito o hábito de se deitar uma com a outra num hábito de promiscuidade institucional que escandaliza a todos, menos aos empoleirados no poder.

Vejam, por exemplo, o que prometeu fazer o deputado estadual Getúlio Rêgo, líder do DEM na Assembleia Legislativa.

Declarou o parlamentar ao blog de Thaísa Galvão que iria pedir à governadora que escolhesse seu sobrinho. Acrescentou, à guisa de justificativa, que os demais candidatos fariam o mesmo.

Se um mínimo de bom senso houvesse, o parlamentar sequer se gabaria de sua proximidade à governadora. Faria o pedido discretamente e ponto.

É o tipo de agachamento moral que é comemorado por quem faz e colhe os louros da manobra.

Também é o tipo de circunstância que diz muito sobre nossas instituições. Não por acaso, o Tribunal para o qual Rêgo foi escolhido tem quase metade de sua composição investigada por órgãos superiores.

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