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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Expressão livre somente a minha

No meio da visita de Yoani Sanchez ao Brasil o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou recurso dos irmãos Lino e Mario Ito Bocchini contra decisão de primeira instância que cassou a existência do blog satírico "Falha de S. Paulo".

A ação foi movida pela Folha de S. Paulo, que se arvora a ser "um jornal a serviço do Brasil", mas que é incapaz de defender a liberdade de expressão - caso isso não sirva a seus interesses políticos e econômicos.

O TJ manteve a decisão da primeira instância. A Folha, "maior jornal do Brasil"e grande defensora da imprensa livre, conseguiu que a justiça mantivesse uma censura que se mantém a 873 dias.

Isso, certamente, não será dito na imprensa brasileira.

Resta-nos a Blogosfera para unir forças aos irmãos Bocchini - não somente a eles, mas o precedente aberto, como no processo do qual foi vítima Rodrigo Vianna por parte de Ali Kamel, coloca em risco o meu e o seu direito de manifestação.

Lino falou no Facebook:

"Os desembargadores do TJ-SP entenderam que o caso da Falha era de "direito marcário", e que devemos ficar fora do ar porque tínhamos nome e logotipo parecidos com o da Folha. Desconsideraram toda argumentação e a discussão pública em torno da Liberdade de Expressão. Vamos tentar recorrer ao STJ ou STF, mas isso não é tão simples. Completamos hoje 873 dias censurados e sei lá se um dia vamos voltar. E o pior de tudo é o precedente. Abriu-se uma jurisprudência que agora pode ser usada contra todos nós. Contra a própria Folha, inclusive. Enfim, depois escrevo mais. Muito obrigado a todos que nos apoiaram, e bola pra frente."

Há pouco, ele complementou: "Peço, por gentileza, a todos os que têm opinião formada sobre o caso Falha, que se manifestem, escrevam textos etc. A Folha já procurou nossos advogados, e está preparando um texto para a edição de amanhã (ou para sair no UOL ainda hoje). Ou seja, vai precisar de um mutirão enorme para combater a versão deles. O dano foi coletivo, e toda movimentação em torno da Falha tabém é coletiva.Por isso pedimos sua ajuda. Por favor manifestem-se em tudo que é canto... Obrigado!"

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