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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A renúncia do Papa Bento XVI

Não vou meter o bedelho na renúncia do Papa Bento XVI. Já há muita gente noticiando aquele que com certeza o acontecimento mais importante do dia.
Poderia refletir sobre o significado do que falou Ratzinger acerca da deteriorização da sua saúde física e mental. Será que isso seria causa suficiente para explicar a enorme quantidade de baboseiras ditas pelo Papa nos últimos tempos? Será que sua saúde mental se acabou na forma de uma senilidade decisiva?
Será que alguém vai desconfiar de uma renúncia em um contexto em que bispos e cardeais são denunciados cada vez mais por casos de pedofilia?
Será que alguém vai desconfiar de uma renúncia poucos meses depois de um escândalo de vazamento de documentos secretos do Vaticano em que o punido foi o mordomo?
Mas prefiro lembrar duas coisas na renúncia de Bento XVI.
A primeira diz respeito à sua eleição no Conclave em abril de 2005. Aquele mês foi o período em que selecionei meu corpus de pesquisa de mestrado no Blog de Marcelo Tas.
Quando Ratzinger foi eleito, Tas fez um post - que acabou rescrevendo: "Ratzenger ou Adolf I". Isso mesmo: Tas fez uma comparação entre o então novo Papa e Hitler. Depois, reescreveu o texto.
Uma outra coisa que me chama a atenção nessa renúncia diz respeito à propaganda para a Jornada Mundial da Juventude. Em todo tempo as chamadas e propagandas anunciavam a presença do Papa Bento XVI. Eu sempre que via brincava que deviam anunciar simplesmente a presença do Papa, já que com a idade de Ratzinger
ninguém poderia garantir que chegaria vivo até lá. "E se for outro Papa?", eu costumava perguntar.
Ratzinger não morreu, mas com sua renúncia será outro Papa que virá ao Rio de Janeiro.

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