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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Qual é o crime: desviar mais de R$ 8 mi ou denunciar falta de material?

Confesso que somente hoje vi uma notícia de dois dias atrás acerca da decisão do governo do Estado em denunciar o presidente do Conselho Regional de Medicina, Jeancarlo Cavalcante.
Não há um adjetivo que qualifique adequadamente a decisão.  Só tenho a lamentar pelo meu amigo Paulo Araújo, secretário de comunicação, porque acima de tudo processar Jeancarlo é um tiro no pé da comunicação do governo. E conhecendo Chico Paulo, duvido muito que ele tenha sido consultado a respeito.
A promotora Ana Ximenez traduziu bem a questão via twitter: "Esse processo é uma medalha no peito do Dr. Jeancarlo e dificilmente intimidará a classe".  No mínimo, do ponto de vista da comunicação, o governo acaba por reforçar ainda mais o papel de Jeancarlo e o efeito de sua atitude: uma denúncia em prol do interesse público.
Age, no entanto, de má fé o governo quando acusa o médico de ter feito sensacionalismo ou tentando se promover.  O campo jornalístico conhece bem o que separa o interesse público - mesmo que nem sempre aja de acordo.  O que Jeancarlo fez foi um ato de denúncia em uma questão de evidente interesse público.  É como me acusar de sensacionalismo ao publicar, por exemplo, o relatório de auditoria da SESAP no Hospital da Mulher.
Jeancarlo pode ser condenado a perder o cargo no serviço público.
Enquanto isso, o mesmo governo do estado e a mesma SESAP pagou R$ 18 milhões a uma organização criminosa para administrar um Hospital que deveria ser de referência e, desses, mais de R$ 8,4 milhões foram desviados.
Mais terrível é perceber que não faltou dinheiro à Marca, mas faltou para comprar o fio de aço.
Quem é mesmo o criminoso?
Quem é o herói?

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