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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Público brasileiro não tem sequer a chance de ver os filmes nacionais

Para balancear a opinião expressa no texto citado no post anterior, a Folha trouxe também um artigo de Sara Silveira:

Por Sara Silveira
Na Folha de São Paulo

Quando o Carlão [Carlos Reichenbach, cineasta morto no ano passado] me chamou nos anos 1990 para criar uma produtora, perguntei se iríamos ganhar dinheiro com nosso filmes. "Dinheiro eu não sei, mas corremos o risco de entrar para a história", ele me respondeu.

Com ele aprendi a importância do dito cinema autoral, que é parte importante da cultura do país e não consegue se manter financeiramente. A alternativa é buscar recursos públicos, que devem ser distribuídos a todos, seja o filme comercial ou autoral.

Mas hoje o grande problema do cinema nacional é que é impossível brigar por espaço com a indústria cinematográfica dos Estados Unidos.

É injusto, portanto, analisar o resultado de um filme apenas com base no número de espectadores nos cinemas.

Como a maioria das salas está ocupada pela produção estrangeira, o público brasileiro não tem sequer a oportunidade de ver os filmes nacionais para conseguir avaliar se eles são bons ou ruins.

Não há grandes problemas de produção, mas gargalos na distribuição e na exibição.

A maioria dos espectadores acaba só tendo contato com essas obras em outros formatos, como TV e DVD, ou no circuito alternativo da Programadora Brasil, que conta com 1.625 pontos de exibição em 850 municípios e um acervo de quase mil obras.

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