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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Juíza suspende reintegração de posse no assentamento Milton Santos

Na CartaCapital

A reintegração de posse do assentamento Milton Santos, em Americana, interior de São Paulo, foi suspensa na noite desta terça-feira 29 pela juíza federal Louise Filgueiras, Tribunal Regional Federal da 3ª Região em São Paulo. No entender da juíza, a existência de um assentamento no local pede uma nova análise do caso.
Produção de hortaliças das famílias do assentamento Milton Santos. Foto: MST
Produção de hortaliças das famílias do assentamento Milton Santos. Foto: MST


Segundo a juíza, as terras estão destinadas ao plantio e existem investimentos relevantes no local. Ela também escreveu que a reintegração poderia causar um conflito no local. “Com efeito, na presente cautelar sobressai-se às questões dominiais a questão social envolvida e o risco de confrontos entre assentados e a polícia, com consequências indesejáveis, graves e até irreversíveis”, diz a juíza na decisão.

A área em questão pertence aos Abdalla, tradicional família local, e foi confiscada na década de 1970 em razão de uma dívida com a União. Desde então, há um imbróglio judicial e, em dezembro de 2005, cem hectares de um total de 18 mil foram ocupados por trabalhadores sem-terra. Atualmente, 70 famílias (300 pessoas) residem no local. O assentamento é reconhecido por uma portaria do governo federal, pelo Incra, e já recebeu fomento para a construção de casas.

Em janeiro, a comunidade havia recebido um mandado de reintegração de posse, agora suspenso, solicitado pelos Abdalla e concedido pelo desembargador federal Luiz Stefanini, o mesmo magistrado que ordenou o despejo dos índios Guarani-Kaiowá em uma área de conflito no Mato Grosso do Sul. Integrantes do assentamento ocuparam, por mais de uma semana, a sede do Incra em São Paulo e também passaram dois dias no edifício do instituto Lula.

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