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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Interesse público ou sensacionalismo?

Segundo o Código de Ética, é vedado ao médico "Divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico."
A previsão é do seu artigo 112.
O artigo foi citado pelo advogado Thiago Cortez, como que justificando o processo contra o médico Jeancarlo Cavalcante.
Evidentemente, Jeancarlo nem se promoveu nem mentiu quando filmou e divulgou o vídeo em que mostrou não haver fio de aço para suturar um paciente grave no Walfredo Gurgel.
Será que a filmagem é sensacionalista?
Qualquer estudante de jornalismo sabe que não, uma vez que o evidente interesse público é notório. Afinal, a denúncia demonstra que faltam insumos básicos no maior hospital público do estado.
Uma analogia pode ajudar a compreender.
O código de ética do jornalismo prevê que a regra é o jornalista não usar gravações com equipamentos escondidos. A exceção é o caso de interesse público.
Se o caso denunciado por Jeancarlo Cavalcante fosse filmado com câmera escondida e publicado por um jornalista ninguém levantaria a questão do sensacionalismo porque, evidente, se trata de denúncia de enorme interesse público.
Como acontece também com respeito a casos de corrupção.
Acusar e denunciar Jeancarlo com base nesse artigo é uma tosca tentativa de limitar a liberdade de expressão e o direito do cidadão conhecer informações de interesse público.

P.S.: Fui alertado por leitores que cometi um erro tosco nesse post: quem se pronunciou no twitter foi o advogado Thiago Cortez e não Felipe, como havia registrado na primeira versão do post.
Desculpem todos.

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