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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Furo do Estadão foi barriga

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Em nota oficial, procurador-geral da República nega que tenha encaminhado pedido de investigação contra ex-presidente Lula ao Ministério Público Federal; decisão é esperada, mas ainda não aconteceu; jornal O Estado de S.Paulo, que achou ter dado furo em hiper manchete, produziu uma barriga histórica; nota diz que Gurgel sequer "iniciou a análise do depoimento de Marcos Valério".

No jargão do jornalismo, furo é a notícia importante dada com exclusividade. Barriga é o inverso: um erro de grandes proporções. Foi o que o jornal O Estado de S. Paulo cometeu em sua edição desta quarta-feira 9, ao noticiar com estardalhaço que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, teria decidido pedir uma investigação ao Ministério Público Federal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A base seria um depoimento do empresário Marcos Valério à Procuradoria Geral da República, publicado antes pelo mesmo jornal.

Ao contrário do que disse a reportagem, Gurgel informou em nota nesta manhã que, ao contrário de ter concluído, sequer iniciou a investigação sobre as declarações de Valério. "Ao contrário do que foi publicado nesta quarta-feira, 9 de janeiro, pelo jornal O Estado de São Paulo, a Secretaria de Comunicação do Ministério Público Federal informa que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ainda não iniciou a análise do depoimento de Marcos Valério, pois aguardava o término do julgamento da AP 470 (mensalão). Esclarece ainda que somente após a análise poderá informar o que será feito com o material. Portanto, não há qualquer decisão em relação a uma possível investigação do caso", informa o órgão.

O procurador havia dito nesta terça-feira que provavelmente enviaria o caso à primeira instância, já que Lula não tem mais direito a foro privilegiado, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo. Mas o Estadão confirmou a decisão de Gurgel. Também nesta manhã, a colunista do jornal O Globo Miriam Leitão negou a informação do jornal, dizendo que encontrou por acaso o procurador em Brasília e que ele informou que não tinha tomado decisão sobre o caso ainda. De acordo com Marcos Valério, Lula teria tido despesas pagas com dinheiro do chamado 'mensalão'.

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