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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Como Peirce analisaria o caso do chefe de gabinete dono de empreiteira?

Estou preparando uma aula sobre métodos de investigação jornalística.
Existe um livro organizado por Thomas Sebeok e Umberto Eco ("O signo de três") que traz ensaios que analisam os métodos utilizados pelo personagem de Arthur Conan Doyle, Mr. Sherlock Holmes, a partir dos princípios da semiótica de Peirce.  Esse livro é referido em parte da bibliografia sobre jornalismo investigativo uma vez que o repórter que atua com investigações costuma agir como se fosse um detetive no melhor estilo Sherlock.
Há um esquema de pensamento lógico defendido por Peirce que é reproduzido por Sebeok no livro.  Vou usá-lo amanhã, com o exemplo contemporâneo de Henrique Alves e Aluizio Almeida.
Antes, a definição de três conceitos:
“primeiro, a dedução, ‘que depende de nossa confiança em nossa habilidade de analisar o significado dos signos nos ou pelos quais pensamos’; segundo, a indução, ‘que depende de nossa confiança em que o curso de algum tipo de experiência não será mudado ou interrompido sem quando indicação que anteceda a interrupção’ e, terceiro, a abdução, ‘que depende de nossa esperança de, cedo ou tarde, supor as condições sob as quais um dado tipo de fenômeno se apresentará’”(SEBEOK, 2008, p. 2)
Vamos ver como isso fica, esquematicamente:

Dedução 

Regra          Empreiteiros são ricos e não precisam de trabalho assalariado

Caso           Aluizio Almeida é empreiteiro

:. Resultado Aluizio Almeida é rico e não precisa de trabalho assalariado


Indução 

Caso            Aluízio Almeida é empreiteiro.

Resultado    Aluizio Almeida é chefe de gabinete de deputado

:. Regra       Empreiteiros são chefes de gabinete de deputado

Claro que a indução, nesse caso, é falsa.  Mas a gente pode resolver o problema com a abdução:


Abdução

Regra          Empreiteiros são ricos e não precisam de trabalho assalariado

Resultado    Aluizio Almeida é chefe de gabinete de deputado

:. Caso        Aluizio Almeida não é empreiteiro

Simples.




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