Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

As aventuras de Pi, o plagiador


Por Dinix
Na Carta Potiguar


O sucesso do belo filme de Ang Lee, adaptação da obra do canadense Yann Martel, indicada ao Oscar de melhor filme de 2012 trouxe de volta uma velha polêmica. “A vida de Pi”, livro lançado no começo da década passada, que ganhou vários prêmios e é um dos romances mais prestigiados dos últimos tempos se trata de um inegável plágio.

A polêmica começou quando o livro do canadense ganhou o Booker Prize na inglaterra, ao perceberem semelhanças muito grandes com um livro de um escritor brasileiro. “A vida de Pi” e “Max e os felinos” de Moacyr Scliar possuíam características bem parecidas. No livro de Martel, um garoto indiano que viajava para o Canadá, após um naufrágio, acaba em um bote com um tigre de Bengala. No livro de Moacyr, após um naufrágio, um rapaz alemão que vinha para o Brasil, fugindo do Nazismo, acaba em um bote com um jaguar. A obra lançada em 1980 ganhou uma tradução para o inglês dez anos depois.
Capa do Livro "Max e os felinos" de Moacyr Scliar.
Capa do Livro “Max e os felinos” de Moacyr Scliar.


Segunda a definição, plágio é assinar ou apresentar um obra de natureza intelectual que contenha partes de uma obra alheia, sem lhe dar o devido crédito. E foi exatamente isso que aconteceu. Após ser desvendado o plágio, o escritor canadense assumiu que havia se inspirado em uma resenha que John Updike escreveu sobre “Max e os felinos”, que nunca havia lido o livro. Mentira que logo foi descoberta, já que Upidke declarou nunca haver resenhado a obra.

No meu ponto de vista, o comportamento de Martel revela muito sobre seu caráter. Mesmo acuado não quis dar o braço a torcer, mentiu e ainda tratou a obra de Scliar como algo menor. Embora sejam duas obras que tratem de assuntos diferentes, já que uma fala sobre espiritualidade e outra sobre política, é impossível deixar de perceber que o eixo da história de Martel recai por cima de uma apropriação da obra de Scliar. O brasileiro preferiu não entrar em uma briga judicial, com receio de um desgaste que acabaria dando em nada.

Comentários

Postagens mais visitadas