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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

As aventuras de Pi, o plagiador


Por Dinix
Na Carta Potiguar


O sucesso do belo filme de Ang Lee, adaptação da obra do canadense Yann Martel, indicada ao Oscar de melhor filme de 2012 trouxe de volta uma velha polêmica. “A vida de Pi”, livro lançado no começo da década passada, que ganhou vários prêmios e é um dos romances mais prestigiados dos últimos tempos se trata de um inegável plágio.

A polêmica começou quando o livro do canadense ganhou o Booker Prize na inglaterra, ao perceberem semelhanças muito grandes com um livro de um escritor brasileiro. “A vida de Pi” e “Max e os felinos” de Moacyr Scliar possuíam características bem parecidas. No livro de Martel, um garoto indiano que viajava para o Canadá, após um naufrágio, acaba em um bote com um tigre de Bengala. No livro de Moacyr, após um naufrágio, um rapaz alemão que vinha para o Brasil, fugindo do Nazismo, acaba em um bote com um jaguar. A obra lançada em 1980 ganhou uma tradução para o inglês dez anos depois.
Capa do Livro "Max e os felinos" de Moacyr Scliar.
Capa do Livro “Max e os felinos” de Moacyr Scliar.


Segunda a definição, plágio é assinar ou apresentar um obra de natureza intelectual que contenha partes de uma obra alheia, sem lhe dar o devido crédito. E foi exatamente isso que aconteceu. Após ser desvendado o plágio, o escritor canadense assumiu que havia se inspirado em uma resenha que John Updike escreveu sobre “Max e os felinos”, que nunca havia lido o livro. Mentira que logo foi descoberta, já que Upidke declarou nunca haver resenhado a obra.

No meu ponto de vista, o comportamento de Martel revela muito sobre seu caráter. Mesmo acuado não quis dar o braço a torcer, mentiu e ainda tratou a obra de Scliar como algo menor. Embora sejam duas obras que tratem de assuntos diferentes, já que uma fala sobre espiritualidade e outra sobre política, é impossível deixar de perceber que o eixo da história de Martel recai por cima de uma apropriação da obra de Scliar. O brasileiro preferiu não entrar em uma briga judicial, com receio de um desgaste que acabaria dando em nada.

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