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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Virada à direita

Uma velha amiga costumava dizer-se de esquerda e era ferrenha defensora do governo Lula. Faz quase dois anos que não tenho uma conversa real com ela, mas me lembrei dela ao ler a matéria de capa da CartaCapital desta semana, sobre o Instituto Millenium e a nova direita juvenil.
Lembrei-me dela por causa da relação que ela parece ter estabelecido, a partir do noivo, Luís Felipe Pondé.
A primeira vez que na vida vi Pondé foi na FLIP do ano passado onde debateu em uma mesa com Miguel Nicolelis. Fiquei impressionado com Pondé. Negativamente.
Era impressionante como alguém que construía argumentos com pitadas eruditas era capaz de dizer coisas tão vazias de substância.
Eu acesso um dos blogs de minha amiga e vejo hoje vídeos de Pondé. E, de vez em quando, vejo seu noivo retuitar, entusiasticamente, as bobagens e os absurdos desumanos que Pondé pensa e fala.
Será que, de repente, minha amiga, leitora de Bakhunin e Paulo Freire, endireitou? Uma pena. Mas talvez seria pior se ela e o noivo não forem capazes de perceber como Pondé não combina com nenhuma proposta solidária para mudança do mundo.
Temo ser surpreendido, eventualmente, com a adesão de ambos a programas políticos dessa nova direita juvenil.

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