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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Virada à direita

Uma velha amiga costumava dizer-se de esquerda e era ferrenha defensora do governo Lula. Faz quase dois anos que não tenho uma conversa real com ela, mas me lembrei dela ao ler a matéria de capa da CartaCapital desta semana, sobre o Instituto Millenium e a nova direita juvenil.
Lembrei-me dela por causa da relação que ela parece ter estabelecido, a partir do noivo, Luís Felipe Pondé.
A primeira vez que na vida vi Pondé foi na FLIP do ano passado onde debateu em uma mesa com Miguel Nicolelis. Fiquei impressionado com Pondé. Negativamente.
Era impressionante como alguém que construía argumentos com pitadas eruditas era capaz de dizer coisas tão vazias de substância.
Eu acesso um dos blogs de minha amiga e vejo hoje vídeos de Pondé. E, de vez em quando, vejo seu noivo retuitar, entusiasticamente, as bobagens e os absurdos desumanos que Pondé pensa e fala.
Será que, de repente, minha amiga, leitora de Bakhunin e Paulo Freire, endireitou? Uma pena. Mas talvez seria pior se ela e o noivo não forem capazes de perceber como Pondé não combina com nenhuma proposta solidária para mudança do mundo.
Temo ser surpreendido, eventualmente, com a adesão de ambos a programas políticos dessa nova direita juvenil.

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