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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Uma novela em longos, intricados e delicados capítulos

Imaginem o que relato a seguir.
No meio de uma disputa eleitoral acirrada para o governo do estado, uma cooperativa de crédito cujos gestores são ligados a um grupo político é denunciada por um partido político adversário.
A representação é feita no Ministério Público Federal.
Na ocasião o chefe da instituição é, por coincidência, filho de um deputado estadual do partido reclamante.  O caso é passado para uma outra procuradora que, segundo a denúncia, é sua namorada naquela data.
Em consequência, o MPF recomenda que a instituição devolva milhões aos cofres públicos, acusando-os de prática delituosa.
Esse é o ponto de partida da documentação que tenho em mãos.
Os personagens não são difíceis de identificar.  A campanha era a de 2006. O Procurador da República Marcelo Alves Dias de Souza, filho do deputado José Dias (que então era do PMDB) e primo do então candidato ao governo, Garibaldi Filho, nega que fosse namorado a época da procuradora Caroline Maciel.  O fato foi negado por ela também.  Ambos responderam a processos administrativos no âmbito do MPF e do Conselho Nacional do Ministério Público e foram considerados inocentes.
Ainda assim, algumas questões podem ser postas no que se refere a suas atuações neste caso e, também, em processos que envolvem, como réu, o ex-deputado estadual Poti Júnior.
Sobre Poti, um caso chama a atenção.  Desde 2010 pronto para ser julgado no Tribunal de Justiça.  Uma sucessão de mal-explicadas alegações de suspeição adiou o julgamento, a partir da ação de influente escritório de advogados, ainda que tenha havido constante pressão do CNJ.  Um desembargador passou nove meses com o processo sem realizar nenhum despacho.  Meses depois do primeiro despacho, alegou suspeição.
Agora, o caso parece ter naufragado no âmbito do TJ. Poti Júnior foi eleito Conselheiro do TCE e seu foro, por isso, subiu ao STJ.
São essas histórias - e mais algumas - que eu tenho a contar.

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