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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ruas interrompidas, direito de ir e vir prejudicado: já é Carnatal

Passei agora há pouco nas proximidades do local onde ocorrerá o Carnatal esta semana.  Funcionários da Semob retiravam um ponto de parada de ônibus localizado logo após a rotatória, na avenida Prudente de Morais.  Uma usuária do sistema de transporte urbano pediu para registrar a ação em foto.
A cena me fez lembrar algumas coisas.
O Carnatal é uma festa privada financiada com dinheiro público, inclusive da prefeitura, hoje administrada por um dos seus sócios.  Além disso, interrompe o direito de ir e vir dos cidadãos - modifica inclusive os pontos de parada de ônibus, gerando transtornos irreparáveis naqueles dias.  Este ano, para completar, o trânsito nas ruas do entorno do evento serão bloqueadas ao trânsito a partir das 14h nos dias de atividade.  O que podem fazer os que trabalham e moram na região?
Antes que acusem o Ministério Público de letargia é bom lembrar que há vários anos o MP luta para regulamentar o Carnatal dentro de marcos sociais e legais mais coletivos.  Esbarram na força que os seus donos têm junto à justiça.
Bom destacar, inclusive, que apenas cerca de um terço do valor arrecadado na festa fica com cidadãos e empresários natalenses.
Os transtornos são vários.
E me fizeram lembrar aqueles que publicaram textos contra as ações da #RevoltadoBusao, que representavam uma luta social em favor da coletividade e do bem público, acusando o chamado caos formado, o impedimento do direito e vir, os transtornos causados nas proximidades de hospitais.  A um quarteirão do Carnatal, a Promater é um hospital que também sofre com os seus transtornos.  Ruas são interrompidas a partir de meados da tarde.  A festa é privada, com dinheiro público.
Quantos textos sobre o caos e os transtornos gerados pelo Carnatal nós vamos ler?

P.S.: Pelo twitter, o promotor de justiça Sidharta John me sugeriu deixar mais clara uma informação dada no texto acima.  O MP ajuizou uma Ação Civil Pública contra a realização do Carnatal no local atual, mas o Judiciário decidiu pela permanência.

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