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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Ruas interrompidas, direito de ir e vir prejudicado: já é Carnatal

Passei agora há pouco nas proximidades do local onde ocorrerá o Carnatal esta semana.  Funcionários da Semob retiravam um ponto de parada de ônibus localizado logo após a rotatória, na avenida Prudente de Morais.  Uma usuária do sistema de transporte urbano pediu para registrar a ação em foto.
A cena me fez lembrar algumas coisas.
O Carnatal é uma festa privada financiada com dinheiro público, inclusive da prefeitura, hoje administrada por um dos seus sócios.  Além disso, interrompe o direito de ir e vir dos cidadãos - modifica inclusive os pontos de parada de ônibus, gerando transtornos irreparáveis naqueles dias.  Este ano, para completar, o trânsito nas ruas do entorno do evento serão bloqueadas ao trânsito a partir das 14h nos dias de atividade.  O que podem fazer os que trabalham e moram na região?
Antes que acusem o Ministério Público de letargia é bom lembrar que há vários anos o MP luta para regulamentar o Carnatal dentro de marcos sociais e legais mais coletivos.  Esbarram na força que os seus donos têm junto à justiça.
Bom destacar, inclusive, que apenas cerca de um terço do valor arrecadado na festa fica com cidadãos e empresários natalenses.
Os transtornos são vários.
E me fizeram lembrar aqueles que publicaram textos contra as ações da #RevoltadoBusao, que representavam uma luta social em favor da coletividade e do bem público, acusando o chamado caos formado, o impedimento do direito e vir, os transtornos causados nas proximidades de hospitais.  A um quarteirão do Carnatal, a Promater é um hospital que também sofre com os seus transtornos.  Ruas são interrompidas a partir de meados da tarde.  A festa é privada, com dinheiro público.
Quantos textos sobre o caos e os transtornos gerados pelo Carnatal nós vamos ler?

P.S.: Pelo twitter, o promotor de justiça Sidharta John me sugeriu deixar mais clara uma informação dada no texto acima.  O MP ajuizou uma Ação Civil Pública contra a realização do Carnatal no local atual, mas o Judiciário decidiu pela permanência.

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