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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O Globo quer uma nova ditadura

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Manchete desta sexta-feira do jornal de João Roberto Marinho acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), de intimidar ministros do STF, quando o que está ocorrendo no Brasil é justamente o contrário; charge traz ainda um "Papai Gurgel" com um presente de Natal para os réus da Ação Penal 470: é Joaquim Barbosa com a chave da cadeia

Duas capas desta semana do jornal O Globo foram emblemáticas. A de terça-feira dizia que o Supremo não apenas cassava parlamentares, como também advertia a direção da Câmara para que se aquietasse. No dia seguinte, o Congresso não era mais tratado como um poder independente, mas sim como um ente rebelado da República. A adesão do Globo ao novo regime político que se instala no Brasil, a chamada "supremocracia", fez com que o 247 colocasse a seguinte questão: "Será que o Globo quer uma nova ditadura?".

Pois a resposta é sim e está estampada na capa desta sexta-feira do jornal da família Marinho, que acusa o presidente da Câmara de intimidar ministros do STF, quando o que está ocorrendo no Brasil é justamente o contrário. O Supremo, sim, invadiu a competência do Poder Legislativo, ao violar o artigo 55 da Constituição Federal e contrariar sua própria jurisprudência sobre o tema. E quem intimida o Poder Legislativo é justamente o chefe do Poder Judiciário, Joaquim Barbosa, que ameaça mandar a polícia invadir a Câmara dos Deputados, caso algum deputado queira estar em seu gabinete num eventual momento de decretação de prisão. Marco Maia apenas tem avisado que o Brasil "não é mais uma ditadura" e que deputados só podem ser presos em flagrante delito ou após o trânsito em julgado de uma ação – o que ainda não ocorreu.

Na capa do Globo desta sexta-feira, há também um "Papai Gurgel" que traz um presente para os réus da Ação Penal 470: Joaquim Barbosa com uma chave de cadeia. A prisão antes do trânsito em julgado, além de ferir a jurisprudência do STF, viola a vontade do próprio plenário da corte – que teria rejeitado a medida, caso ela tivesse sido levada a voto na última segunda-feira.

Tempos de radicalização política se anunciam no dia do fim do mundo.

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