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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Na entrega de Prêmio, Cerimonial da Câmara cala Levante Popular da Juventude

Uma nota triste do evento da noite na Câmara Municipal foi o comportamento do cerimonial.  O Levante Popular da Juventude recebeu o Prêmio Emanuel Bezerra de Direitos Humanos.  Por quê?  Pela luta pelo direito à memória e a justiça contra os torturadores da Ditadura Militar.  A luta contra a censura e pelo direito à fala e à voz.
Faz parte da perfomance do Levante, nos escrachos, o uso de megafones.
Os megafones foram "confiscados" pelo cerimonial da Câmara.
O argumento do Cerimonial é que o comportamento não condizia com o ambiente nem com o fato de ser uma sessão solene.  Mas o cerimonial devia ter mais flexibilidade.
Pior foi que a atitude denunciou a profunda incoerência do momento: o Levante Popular da Juventude, ação que propõe a punição dos militares torturadores da Ditadura e, claro, a censura, foi censurado e teve simbolicamente sua voz cassada no momento em que receberia uma homenagem.
O cerimonial da casa comportou-se como se estivéssemos sob censura.
Conheço os textos que regulamentam o cerimonial e o protocolo.  Atuei com isso no tempo em que trabalhei na Petrobras.  Para além da letra morta da Lei, a atuação do cerimonial depende de flexibilidade e jogo de cintura.  Infelizmente.
A situação só não ficou pior porque o vereador George Câmara, que presidia a sessão, e o coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular Roberto Monte intervieram e fizeram com que os homenageados entrassem no plenário.  Mas sem os megafones.

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