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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Mais uma das OS: MP investiga clínica pública de SP que custa R$ 20 mil/mês por paciente

Na Folha de São Paulo

O Ministério Público de SP abriu um inquérito para investigar o valor pago pela prefeitura para uma instituição conveniada que atende dependentes químicos.

O Said (Serviço de Atenção Integral ao Dependente), na zona sul de São Paulo, é administrado pela Organização Social do Hospital Samaritano e recebe R$ 1,56 milhão por mês fixos para atender 80 pacientes --um custo médio de R$ 20 mil/mês por pessoa.
Editoria de Arte/Folhapress


A diária de R$ 650 é dez vezes o valor da diária paga pela prefeitura para outras clínicas conveniadas (R$ 65).

Também é superior ao valor cobrado por clínicas particulares conceituadas voltadas para a classe média alta, como a Grand House (R$ 235), a Vila Serena (R$ 315) e a Bairral (R$ 535, no quarto luxo com TV e frigobar).

Só fica abaixo do valor da Greenwood, preferida por artistas, que custa entre R$ 645 e R$ 967, em média, por dia.

O inquérito civil instaurado pelo promotor Valter Foleto Santin apura "eventual prejuízo ao erário, em gasto desnecessário e excessivo".
metodologia dos eua

A prefeitura diz que o valor é justo para o trabalho, baseado na metodologia da clínica norte-americana Chestnut Health Systems, que oferece um plano específico para cada paciente por meio de uma equipe multidisciplinar.

Também diz que, no valor mensal fixo repassado à instituição, está incluso todo o tratamento dos pacientes e eventuais custos com reformas e equipamentos --quando inaugurado, em 2010, o local já havia passado por uma reforma de R$ 5,5 milhões.

Os valores das clínicas privadas citadas só não incluem medicação (porque ela não costuma ser usada por todos os pacientes e nem em doses iguais entre os que a usam).

Cobrem, no entanto, todas as refeições, o atendimento de profissionais de equipes multidisciplinares (psiquiatra, clínico geral, enfermeiros e até nutricionistas) e custos do prédio (como o de aluguéis e de eventuais reformas).

A maioria delas tem piscina, área verde e amplo espaço para a prática de esportes.

O Said funciona no prédio de um antigo motel, que hoje pertence ao poder público. A área de lazer se resume a uma quadra de concreto.

"É um valor bastante alto. É possível fazer o trabalho por menos", diz Silze Morgado, diretora da Vila Serena, que oferece atendimento gratuito para o paciente por um ano após o tratamento e recupera, em média, 70% deles -a prefeitura não informou a taxa de recuperação do Said.

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