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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Mais uma das OS: MP investiga clínica pública de SP que custa R$ 20 mil/mês por paciente

Na Folha de São Paulo

O Ministério Público de SP abriu um inquérito para investigar o valor pago pela prefeitura para uma instituição conveniada que atende dependentes químicos.

O Said (Serviço de Atenção Integral ao Dependente), na zona sul de São Paulo, é administrado pela Organização Social do Hospital Samaritano e recebe R$ 1,56 milhão por mês fixos para atender 80 pacientes --um custo médio de R$ 20 mil/mês por pessoa.
Editoria de Arte/Folhapress


A diária de R$ 650 é dez vezes o valor da diária paga pela prefeitura para outras clínicas conveniadas (R$ 65).

Também é superior ao valor cobrado por clínicas particulares conceituadas voltadas para a classe média alta, como a Grand House (R$ 235), a Vila Serena (R$ 315) e a Bairral (R$ 535, no quarto luxo com TV e frigobar).

Só fica abaixo do valor da Greenwood, preferida por artistas, que custa entre R$ 645 e R$ 967, em média, por dia.

O inquérito civil instaurado pelo promotor Valter Foleto Santin apura "eventual prejuízo ao erário, em gasto desnecessário e excessivo".
metodologia dos eua

A prefeitura diz que o valor é justo para o trabalho, baseado na metodologia da clínica norte-americana Chestnut Health Systems, que oferece um plano específico para cada paciente por meio de uma equipe multidisciplinar.

Também diz que, no valor mensal fixo repassado à instituição, está incluso todo o tratamento dos pacientes e eventuais custos com reformas e equipamentos --quando inaugurado, em 2010, o local já havia passado por uma reforma de R$ 5,5 milhões.

Os valores das clínicas privadas citadas só não incluem medicação (porque ela não costuma ser usada por todos os pacientes e nem em doses iguais entre os que a usam).

Cobrem, no entanto, todas as refeições, o atendimento de profissionais de equipes multidisciplinares (psiquiatra, clínico geral, enfermeiros e até nutricionistas) e custos do prédio (como o de aluguéis e de eventuais reformas).

A maioria delas tem piscina, área verde e amplo espaço para a prática de esportes.

O Said funciona no prédio de um antigo motel, que hoje pertence ao poder público. A área de lazer se resume a uma quadra de concreto.

"É um valor bastante alto. É possível fazer o trabalho por menos", diz Silze Morgado, diretora da Vila Serena, que oferece atendimento gratuito para o paciente por um ano após o tratamento e recupera, em média, 70% deles -a prefeitura não informou a taxa de recuperação do Said.

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