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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Lula, Bolsa Família e o vídeo do século

Vi circulando, no Facebook, o vídeo abaixo - anunciado como o vídeo do século.



Claro que está sendo difundido por antilulistas.  Fez-me lembrar deste texto de Rodrigo Vianna.
Entrei no debate com meu amigo no Facebook que distribuía o vídeo.

De início, respondi afirmando que as duas falas de Lula não se opõem, uma vez que Bolsa Família não é assistencialismo nem pura entrega de cestas básicas. É, na verdade, transferência de renda - o que, já comprovam os estudos feitos, contribui para uma maior autonomia dos beneficiados em busca de serem senhores de suas próprias vidas. Por isso, Bolsa Família deve ter porta de saída.

Em resposta, meu amigo reafirmou que as falas são claras e que a única diferença é que uma foi feita antes de ser presidente e a outra quando era.

Reforcei meu ponto, dizendo que ele não havia entendido nem o que dissera Lula nem o que eu mesmo disse. Bolsa Família não é distribuição de alimento. É transferência de renda. Os efeitos das duas coisas são muito diferentes.

Ter o dinheiro no bolso me faz pensar o que eu quero fazer com ele, me faz ter autonomia. É muito diferente de receber uma cesta básica em troca de votos ou de um puro assistencialismo. Lula, no segundo vídeo, fala de assistencialismo não de transferência de renda.

Além de tudo o Bolsa Família exige que as famílias tenham as crianças na escola e com cartões de vacinação em dia, por exemplo.

Faz também com que o povo entenda que tem direito a algo mais que um emprego que lhe faça ficar de sol a sol capinando o campo dos outros, ou vigiando a casa do outro: ele sabe que pode ter um emprego melhor com salário melhor.

Aliás essa é a origem da ideia da tal "preguiça" com respeito aos seus beneficiários: a elite não entendeu que agora o trabalhador sabe que merece ter melhores condições de trabalho e melhores salários. Não vai aceitar qualquer coisa: melhor ficar como beneficiário do que num subemprego. E isso é extremamente positivo: demonstra que o cara se tornou sujeito ativo de sua história. Ninguém o manipula mais. Isso tudo mostra como é diferente um programa como Bolsa Família do puro assistencialismo. Não significa que o programa não podia ser melhor. Eu concordo com Frei Betto, particularmente, quando entende que o Bolsa Família é um programa inferior ao Fome Zero. E é dessa inferioridade que nascem os episódios de corrupção e falhas nos controles do programa, entre outras falhas, algumas mais sérias, outras menos.

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