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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

“Quem não reagiu está vivo.” É isso mesmo, governador Alckmin?

No Blog do Rovai

No dia 11 de setembro, a Rota matou 9 suspeitos durante ação contra um suposto tribunal do crime em um sítio de Várzea Paulista. De acordo com a PM, ali estaria sendo julgado um homem acusado de abusar sexualmente de uma criança. Detalhe, o “réu” também foi morto durante a ação da Rota.

No dia seguinte a ação, o governador Geraldo Alckmin defendeu a conduta dos PM’s com a frase:

“Quem não reagiu está vivo.”

Mesmo que, hipoteticamente, a ação dos policiais tenha sido legítima e dentro da lei, a frase dita por Alckmin é, no mínimo, inapropriada para a autoridade máxima do estado.

Mas, agora, um novo fato aconteceu. E, neste caso, Alckmin não pode repetir o “bordão”, a não ser que use de um cinismo sem precedentes até para ele.

Imagens divulgadas pelo Fantástico, da Rede Globo, mostram o servente Paulo Batista Nascimento, de 25 anos, sendo executado covardemente por um policial militar.

Vizinhos do servente filmaram a ação de policiais que retiram Paulo de casa, ele tenta resistir, mas leva um tapa e um chute. Então, os policiais conduzem Paulo para a viatura. No caminho ele implora: “Não tenho nada a ver, senhor! Por favor, senhor”. Neste momento, um dos policiais levanta o braço em posição de tiro e se ouve o estampido do tiro.


No B.O registrado pelos PM’s envolvidos, Paulo teria fugido após troca de tiros e seu corpo teria sido encontrado em uma viela. Após a divulgação das imagens, os PM’s mudaram a versão e afirmaram que Paulo teria tentado tirar a arma de um dos PM’s, os dois entraram em luta corporal, e um disparo teria sido efetuado. As imagens, porém, desmentem a farsa policial.

Após o vídeo ser divulgado pela imprensa, a PM paulista afastou e prendeu os policiais envolvidos na ocorrência. Mas, a punição aos policiais não será motivada por uma investigação interna da PM, e sim pela denúncia da imprensa. Algo muito corriqueiro. O caso em muito se assemelha a ação do PM conhecido como “Rambo”, em 1997, na Favela Naval, em Diadema.

Rambo apareceu em um vídeo, divulgado pelo mesmo Fantástico, torturando moradores da Favela Naval na companhia de outros 9 PM’s. Em outro ponto do vídeo, Rambo mata displicentemente, como quem mata uma barata, o conferente Mário José Josino. Rambo, e os PM’s que presenciaram o assassinato, também foram afastados da Polícia Militar e presos após a divulgação do vídeo.

Em entrevista concedida ao Fantástico, em 2010, Rambo afirma que a morte de Mário foi “uma fatalidade” e que se arrepende do crime. Porém, outra frase é mais marcante na entrevista. Perguntado se ele sente arrependimento por ter entrado na PM paulista, Rambo respondeu da seguinte maneira:

“Me arrependo. Porque é uma fábrica de loucos, entendeu?“

Governador Geraldo Alckmin, quantos outros Rambos a “fábrica de loucos” da PM irá produzir. Quantos Mários e Paulos precisam ser mortos para que o senhor tome alguma atitude?

Ou o senhor vai continuar dizendo que “quem não reagiu está vivo”.

O mais curioso desta história toda é que a mídia tradicional trata de tudo isso que vem acontecendo em São Paulo sem dar nomes aos bois. Nem parece que o governador se chama Alckmin e que o partido dele é o PSDB.

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