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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O enterro de Gonzaga e a aula de jornalismo

Hoje pela manhã, como que por coincidência, encontrei um vídeo no Youtube que reproduzia matéria do Jornal Nacional sobre parte do velório de Luiz Gonzaga, em 1989.
Estava procurando um vídeo da música 13 de dezembro para este post.



Em uma dessas coincidências que sempre nos alcançam, o vídeo calhou de combinar com parte do conteúdo de uma das aulas que daria hoje.
Estou falando sobre apuração jornalística e hoje falaria sobre a capacidade de descrição e de contar uma boa história a partir da observação do ambiente e da curiosidade.
Às vezes, a observação e a curiosidade vão ajudar a você a contar uma história de maneira mais atraente.  Às vezes, vão salvar sua matéria quando, por algum motivo, uma pauta for prejudicada - a fonte não quer falar ou outra coisa atrapalha a execução da pauta.
Foi o caso na matéria acima.
Cid Moreira informa que, devido à ação do povo de Recife acompanhando o caixão de Luiz Gonzaga, o avião partiu para Juazeiro do Norte com atraso.   Em Juazeiro, mais atraso.  Exu, onde seria o sepultamento, dista 60 km da cidade cearense.
Beatriz Castro fala diretamente de Juazeiro enquanto Ernesto Paglia estava em Exu para acompanhar o sepultamento.
Acontece que o traslado do corpo já tinha mais de quatro horas de atraso.  Aí, mesmo com Cid Moreira chamando uma matéria na qual esperaríamos o sepultamento, não havia ainda sequer um corpo na cidade natal de Luiz Gonzaga.
O resultado?  Uma matéria muito interessante sobre a história dos conflitos políticos de Exu e o aboio dos vaqueiros em lamento de Gonzaga.
Ainda que o atraso tenha provocado o problema de o JN não mostrar o corpo chegando a Exu - e seu sepultamento -, Paglia se virou bem e contou uma boa história.

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