Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

"É desse treze de dezembro que me lembrarei"

"Treze de dezembro" é uma música instrumental de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.  Foi gravada inicialmente em 1953.
Evidentemente, a referência é a data de nascimento de Gonzaga.
Em 1986, Gilberto Gil pôs uma letra na música.
Confesso que já ouvira algumas vezes, graças ao trabalho de garimpagem musical de Zé Dias, produtor natalense.
Somente ontem na estrada é que entendi a referência direta da letra.



Bem que essa noite eu vi gente chegando
Eu vi sapo saltitando e ao longe
Ouvi o ronco alegre do trovão
Alguma coisa forte pra valer
Estava pra acontecer na região

Quando o galo cantou
Que o dia raiou
Eu imaginei
É que hoje é treze de dezembro
E a treze de dezembro nasceu nosso rei

O nosso rei do baião
A maior voz do sertão
Filho do sonho de Dom Sebastião
Como fruto do matrimônio do cometa Januário
Com a estrela Sant'Ana
Ao romper da era do Aquário
No cenário rico das terras de Exu
O mensageiro nu dos orixás

É desse treze de dezembro que eu me lembrarei
E sei que não esquecerei jamais

Há um outro 13 de dezembro que merece ser esquecido.
Ele ocorreu em 1968.  Alguma coisa forte para valer estava para acontecer.  Mas o impacto do nosso rei do baião, da maior voz do sertão, é maior que qualquer coisa deixada pelo outro 13 de dezembro.
Daqui a alguns dias, no 13 de dezembro, celebraremos seu centenário.  A noite do AI 5 será deslocada pela luz fulgurante do velho Lua.

Comentários

Postagens mais visitadas