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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

"É desse treze de dezembro que me lembrarei"

"Treze de dezembro" é uma música instrumental de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.  Foi gravada inicialmente em 1953.
Evidentemente, a referência é a data de nascimento de Gonzaga.
Em 1986, Gilberto Gil pôs uma letra na música.
Confesso que já ouvira algumas vezes, graças ao trabalho de garimpagem musical de Zé Dias, produtor natalense.
Somente ontem na estrada é que entendi a referência direta da letra.



Bem que essa noite eu vi gente chegando
Eu vi sapo saltitando e ao longe
Ouvi o ronco alegre do trovão
Alguma coisa forte pra valer
Estava pra acontecer na região

Quando o galo cantou
Que o dia raiou
Eu imaginei
É que hoje é treze de dezembro
E a treze de dezembro nasceu nosso rei

O nosso rei do baião
A maior voz do sertão
Filho do sonho de Dom Sebastião
Como fruto do matrimônio do cometa Januário
Com a estrela Sant'Ana
Ao romper da era do Aquário
No cenário rico das terras de Exu
O mensageiro nu dos orixás

É desse treze de dezembro que eu me lembrarei
E sei que não esquecerei jamais

Há um outro 13 de dezembro que merece ser esquecido.
Ele ocorreu em 1968.  Alguma coisa forte para valer estava para acontecer.  Mas o impacto do nosso rei do baião, da maior voz do sertão, é maior que qualquer coisa deixada pelo outro 13 de dezembro.
Daqui a alguns dias, no 13 de dezembro, celebraremos seu centenário.  A noite do AI 5 será deslocada pela luz fulgurante do velho Lua.

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