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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Contra "censura", Dilma recebe aplausos em Veja

No Brasil 247

José Dirceu ontem, Luiz Inácio Lula da Silva hoje, Dilma Rousseff amanhã. É assim que algumas alas do PT enxergam o comportamento "golpista" dos principais meios de comunicação do País, em especial da revista Veja. Dirceu já foi. Está condenado, sem passaporte e prestes a ser preso. Lula pode vir a ser o próximo alvo de um inquérito criminal, cuja origem da representação apresentada ao procurador Roberto Gurgel são duas reportagens não comprovadas da própria revista Veja, com declarações atribuídas a Marcos Valério. Depois disso, seria a vez do ataque à presidente Dilma Rousseff, para evitar sua reeleição em 2014.

Tenha ou não fundo de verdade, essa tese, aparentemente, não incomoda a presidente da República. Nesta semana, ao participar de um seminário sobre o combate à corrupção em Brasília, ela disse uma frase (já pronunciada por ela própria em outras oportunidades) que, fatalmente, seria reproduzida na revista Veja desta semana. "Estou convencida de que, mesmo quando há exageros, e nós sabemos que em qualquer área eles existem, é sempre preferível o ruído da imprensa livre ao silêncio tumular das ditaduras".

Não deu outra. No texto "Recado aos liberticidades", a frase de Dilma foi usada por Veja a seu favor e contra a "cúpula stalinista" do PT. Segundo a revista, Dilma reafirmou a defesa da liberdade de imprensa, "contrariando petistas e mensaleiros inconformados com a condenação no Supremo Tribunal".

A revista destaca ainda que a frase vem num momento importante, em que o presidente da legenda, Rui Falcão, "anunciou como prioridade para o próximo ano convencer o governo a apoiar o projeto que visa, em última análise, a submeter a imprensa livre a constrangimentos ideológicos".

A mesma reportagem qualifica o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu como "liberticidas" e afirma que "o objetivo da falconaria petista é a instituição da censura no Brasil". Rui Falcão, no entanto, fala em "ampliar a liberdade de expressão" e combater monopólios, assim como a distribuição de concessões de rádio e televisão a grupos políticos.

Como presidente da República, a presidente Dilma se equilibra entre as pressões do PT, dos seus aliados, de setores da sociedade e suas próprias convicções. Ao prestar a declaração da última semana, ela reafirmou um de seus princípios básicos, mas também assumiu um risco, ciente de que os aplausos recebidos em Veja, uma revista constantemente questionada por seus métodos, certamente poderão gerar atritos com seu próprio partido.

Mas, como diz o título de usa biografía, escrita pelo competente jornalista Ricardo Amaral, "A vida quer é coragem". E Dilma, aparentemente, não tem medo.

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