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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Como se fabricam escândalos no Brasil? Não saberemos

No Brasil 247

Os parlamentares da CPI do Cachoeira tiveram uma oportunidade de ouro para discutir como se fabricam escândalos no País. O caso Carlinhos Cachoeira expôs relações perigosas -- e próximas demais -- entre a revista Veja e um bicheiro, e havia indícios de que Cachoeira estaria na gênese das primeiras denúncias do mensalão (releia "Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão"). Não bastasse, o escândalo surgiu quando a Inglaterra inquiria o magnata da mídia Rupert Murdoch, por causa dos grampos de seu News of the World. Mas orecuo do relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), abrindo mão do pedido de indiciamento de Policarpo Júnior, jogou a oportunidade fora de vez.

Nas primeiras reuniões da comissão de inquérito, parecia inevitável a convocação não apenas de Policarpo, como também de Roberto Civita, o comandante do Grupo Abril. O medo na Abril era tão grande que até Fábio Barbosa, presidente executivo do grupo, foi escalado para ir a Brasília e negociar a não convocação de Civita (que se tratava de um câncer) e Policarpo (relembre em O que Fábio Barbosa foi fazer em Brasília?).

Fábio Barbosa procurou vários líderes políticos, e até o ex-ministro José Dirceu. Já João Roberto Marinho, da Rede Globo, foi ao vice-presidente da República, Michel Temer. Se houve acordo sobre o assunto, não e sabe. Mas o fato é que nem Civita nem Policapo foram convocados; e, com a condenação dos principais réus petistas no julgamento do mensalão, Veja, que falava na CPI como cortina de fumaça contra a Ação Penal 470, reacelerou as turbinas e soltou fogos.

Quando tudo já estava perdido para o PT, o partido ainda tentou aprovar um relatório com o indiciamento de Policarpo Júnior, que nem sequer fora convocado para depor à comissão. Nem isso, contudo, os amendrotados petistas vão conseguir.

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