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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Uma nova esquerda: das ruas às redes e de volta à luta



Somos uma nova esquerda, herdeiros de uma luta secular pelos direitos dos trabalhadores, dos excluídos, contra os poderes exploradores do povo e as forças da reação. Temos origens diferentes e compreensões diferentes do mundo, da vida e da luta política. Mas temos pontos em comum.

Vivemos um momento em que uma nova esquerda consegue emergir das lutas de rua - alimentadas, dessa vez, pelas tecnologias da informação, da comunicação. Natal é um marco nacional desse momento - com o movimento #ForaMicarla, com a ocupação da Câmara e a #RevoltadoBusao, todos vencedores. Mas fazemos parte, mais uma vez, de um movimento global, que abala estruturas mundo afora do capitalismo. Temos, no entanto, uma origem e uma história em comum - é possível, por isso, mantermos o diálogo.

Ainda tenhamos consciência que discordamos e divergimos nas escolhas táticas, na política, no pragmatismo, concordamos e defendemos:
  1. A superação do capitalismo e do modo de produção que explora a relação capital e trabalho sempre na direção de desumanizar o homem e a mulher. 
  2. o fim de um modelo teocrático de vivência social, em que os valores religiosos de diversas ordens se sobrepõe aos direitos individuias e coletivos, notadamente da maioria, e por uma espiritualidade que possa se libertar dos grilhões ideológicos, contribuindo para um mais amplo humanismo, centrado na emancipação humana. 
  3. a defesa intransigente dos direitos humanos, dos valores das comunidades mais marginalizadas, das minorias, do desenvolvimento sustentável 
  4. a superação da democracia formal, liberal e parcial em que vivemos para modelos de democracia e sociabilidade em que se preservem a diversidade, a pluralidade e o direito da maioria. 

Sabemos que outras questões são, talvez, insuperáveis em nossa trajetória. Discordamos na tática, consideramos opções diferentes de luta, mas reconhecemos unanimemente que há apenas uma saída para o humano ser plenamente humano - e essa saída está à esquerda.

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