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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Se o voto foi comprado, a votação deve valer?

O PT comprou apoio político. Esta é a manchete da Folha de S. Paulo, do Globo e do Estado de S. Paulo. Uma verdade transitada em julgado, pela decisão soberana do Supremo Tribunal Federal. Como disse o ministro Celso de Mello, os "marginais do poder" "formaram uma quadrilha" e seu voto vem sendo considerado histórico pela oposição. Decano do STF, Celso de Mello, comparou o parlamentar que vende seu voto ao juiz que negocia uma sentença. Este seria o "ato de ofício".

Esta análise, no entanto, cria um problema. Quando se descobre que uma sentença foi vendida, ela é anulada, porque a justiça e a injustiça não são bens negociáveis. O mesmo não deveria acontecer com votações aprovadas no primeiro governo Lula, como a reforma da previdência, ocorrida naquele momento conturbado?

O outro ponto diz respeito à própria natureza da política. No Brasil, desde que o mundo é mundo, formar uma base de sustentação política, significa cooptar aliados, seja com recursos financeiros, seja com a distribuição de cargos. O grande paradoxo disso tudo é um só. Os mesmos partidos que se venderam ao PT, como PTB, PR e PMDB, serviram e ainda servem a outros governos até da oposição. Fazem isso por princípio, por afinidade ideológica ou simplesmente tratam a política como um comércio?

Tome-se o caso do governo Fernarndo Henrique Cardoso. Renan Calheiros, tido como um dos mais fisiológicos líderes do PMDB, foi ministro da Justiça. O atual vice-presidente, Michel Temer, teve influência direta no setor portuário. Partidos nanicos também formaram parte da base de sustentação de FHC. E reformas muito mais difíceis de negociar no Congresso, como a Lei do Petróleo e a própria emenda da reeleição (na qual houve efetivamente denúncia de compra de votos), foram aprovadas no Congresso.

Será que os PTBs, PRs, PPs e PMDBs só começaram a se vender depois que o PT chegou ao poder? Será que não continuam se vendendo em governos estaduais e municipais? Ou será que apenas um partido político composto por "marginais do poder" será criminalizado no País?

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