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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Se o voto foi comprado, a votação deve valer?

O PT comprou apoio político. Esta é a manchete da Folha de S. Paulo, do Globo e do Estado de S. Paulo. Uma verdade transitada em julgado, pela decisão soberana do Supremo Tribunal Federal. Como disse o ministro Celso de Mello, os "marginais do poder" "formaram uma quadrilha" e seu voto vem sendo considerado histórico pela oposição. Decano do STF, Celso de Mello, comparou o parlamentar que vende seu voto ao juiz que negocia uma sentença. Este seria o "ato de ofício".

Esta análise, no entanto, cria um problema. Quando se descobre que uma sentença foi vendida, ela é anulada, porque a justiça e a injustiça não são bens negociáveis. O mesmo não deveria acontecer com votações aprovadas no primeiro governo Lula, como a reforma da previdência, ocorrida naquele momento conturbado?

O outro ponto diz respeito à própria natureza da política. No Brasil, desde que o mundo é mundo, formar uma base de sustentação política, significa cooptar aliados, seja com recursos financeiros, seja com a distribuição de cargos. O grande paradoxo disso tudo é um só. Os mesmos partidos que se venderam ao PT, como PTB, PR e PMDB, serviram e ainda servem a outros governos até da oposição. Fazem isso por princípio, por afinidade ideológica ou simplesmente tratam a política como um comércio?

Tome-se o caso do governo Fernarndo Henrique Cardoso. Renan Calheiros, tido como um dos mais fisiológicos líderes do PMDB, foi ministro da Justiça. O atual vice-presidente, Michel Temer, teve influência direta no setor portuário. Partidos nanicos também formaram parte da base de sustentação de FHC. E reformas muito mais difíceis de negociar no Congresso, como a Lei do Petróleo e a própria emenda da reeleição (na qual houve efetivamente denúncia de compra de votos), foram aprovadas no Congresso.

Será que os PTBs, PRs, PPs e PMDBs só começaram a se vender depois que o PT chegou ao poder? Será que não continuam se vendendo em governos estaduais e municipais? Ou será que apenas um partido político composto por "marginais do poder" será criminalizado no País?

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