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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Alice: Entre duas campanhas

Passado a votação do primeiro turno, posso contar um episódio de antes da campanha na tevê começar.
Na sexta-feira anterior a ter início a propaganda eleitoral no rádio e tevê o jornalista Marcílio Amorim tuitou um chamado a todos, de todas ideias, que gostariam de participar de uma campanha publicitária.  De imediato enviei uma foto de Alice por e-mail.
Marcílio me ligou confirmando que a pequena tinha sido escolhida.  E me explicou cachê e para quem era a campanha: Rogério Marinho.  Levei um choque. Conversamos em casa e decidimos que o trabalho era honesto e que nada demais teria - ainda seria uma oportunidade, né?  Mas o coração ficou pesado.
A gravação seria em um estúdio, dois dias depois, um domingo.  No sábado, dois telefonemas confirmaram o horário e o local.  Até que, no fim da tarde, Marcílio liga dizendo que a gravação fora adiada para o longo da semana, ligaria para confirmar a data.  Até hoje.
Com certeza absoluta, a campanha tucana descobriu quem era Alice.  Que escapou de ir à tevê de Rogério.
Pano rápido.
No sábado anterior ao fim de semana da eleição, lá estava Alice gravando para o programa de Mineiro. De graça. Por puro idealismo e convicção.  E foi lindo, como linda foi a campanha em Natal este ano.
Ontem à noite, Alice triste constatou a derrota do "amigo de papai". Do alto da sabedoria de seus três anos incompletos.

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