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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A escolha do PT em Natal

Meses atrás, tomei um café com Fernando Mineiro. Conversamos sobre diversos assuntos, mas fizemos uma análise que levei ao meu partido, o PCdoB.
Mineiro lembrava dos momentos marcantes da esquerda nas últimas campanhas municipais.  O grande momento havia sido a eleição de 1996, quando Fátima Bezerra foi derrotada, pelos próprios erros da coligação, num segundo turno por Wilma de Faria.  O grande momento de derrota foi 2004, quando Fátima ficou atrás até de Miguel Mossoró.
Ali a esquerda degringolou.  Na eleição de 2002 aliou-se a Wilma e, em 2004, a Carlos Eduardo.  Aí, a esquerda ficou resumida a apenas três grandes lideranças na cidade: Fátima, Mineiro e George.  Em 2008 o erro foi ter topado a grande aliança, chamada pela oposição de "acordão", e que atropelou a democracia interna de todos os partidos. No PT, o candidato já seria Mineiro desde 2008. No PSB, Rogério.  No entanto, de cima para baixo - entre a noite de um domingo e a manhã de uma segunda - foi definido o nome de Fátima. Fátima merecia ter sido a prefeita ali, mas o atropelamento geral das democracias internas dos partidos cobrou seu preço.
Naquele café, Mineiro estava decidido: seria candidato de qualquer jeito.  Mesmo que saísse sozinho.  Era preciso reposicionar a esquerda em Natal.  E ele acreditava, mais que ninguém, nas possibilidades de uma eleição no contexto em que as redes sociais ampliariam cada vez mais a sua força.  Ainda assim, era necessário o surgimento de novas lideranças e de um novo modo de ser para a política progressista em Natal.  Até para que pudéssemos sair da incômoda posição de termos, PT e PCdoB, passado quatro anos de mandato de Carlos Eduardo, oito de Wilma, e não termos uma marca relevante de nenhum dos dois partidos na gestão pública.
Estávamos certos.  A campanha de Mineiro representou a retomada da luta do campo popular e progressista na cidade - e possibilitou a expressão de novas lideranças.  Ainda que tenhamos tido a reeleição de George Câmara (PCdoB, na aliança com Carlos Eduardo) e a de Lucena (PT), e o retorno de Hugo Manso (PT) - ou seja, lideranças tarimbadas -, é de se destacar a votação de gente como Rodrigo Bico.  Mais que isso: a próxima legislatura terá uma bancada da Frente Ampla de Esquerda, com uma vereadora do PSTU e dois do PSOL.
Falei tudo isso para chegar na questão que envolve, agora, o apoio do PT no segundo turno.  Alguns petistas já seguiram com Carlos Eduardo no primeiro turno, como tinham feito na campanha para o governo em 2010.  Mesmo com a pressão que virá da cúpula para que apoiem o candidato de Micarla nas eleições, o natural seria que o partido seguisse com Carlos - até por ter feito parte de sua gestão.
No entanto, o que está em jogo é o capital político recuperado.  O PT sai fortalecido como em poucos momentos antes. Mesmo que Mineiro tenha tido nominalmente menos votos que Fátima em 2008 (quase 140 mil contra perto de 86 mil agora).  Em 2012, Fátima teve para deputada federal, em Natal, votação muito semelhante a de Mineiro hoje (85.558 votos).
A decisão sobre o apoio no segundo turno passa por aí. No caso de eleição, para Carlos Eduardo o PT terá mais peso que para Hermano.  Hermano praticamente já garantiu maioria na Câmara ontem.  Carlos terá de trabalhar por isso e os dois vereadores do PT seriam sobremaneira importantes.  Mas se a esquerda constrói um novo caminho na cidade, o melhor cenário talvez seja manter a independência, não declarando apoio a ninguém e deixando que os eleitores escolham.  Apoiar e entrar, de cara, no governo do eleito talvez represente degelar o capital recuperado.

P.S.: Recomendo a leitura, em conjunto, do post em que esclareço algumas dúvidas que despertei: Um esclarecimento sobre escolhas: somente pode ser @carloseduardo12

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