Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#RevoltadoBusao e a imparcialidade parcial da @tribunadonorte

Sou jornalista formado pela UFRN.  Além disso, ali fiz meu mestrado e meu doutorado.  Se isso não for suficiente, estou me preparando para dar aulas de jornalismo na Universidade Federal do Ceará.
Estou fazendo esse preâmbulo para comentar a reação de meus colegas e dos veículos nos quais trabalham ao fato de serem vítimas de hostilidades da parte dos estudantes que tomaram as ruas duas vezes essa semana.
Já me posicionei contrário ao fato. Mas é preciso que meus colegas e seus patrões entendam que a oposição dos movimentos sociais à imprensa convencional é antiga e vai recrudescer à medida que aumente a influência das redes sociais e da Internet.
O motivo é simples. A rotina de produção das notícias nos veículos de imprensa atende a critérios de noticiabilidade muito bem definidos, mas influenciadas por fatores nem sempre publicáveis e confessáveis.  Como os interesses político-econômicos dos padrões.  Ou algum telespectador, em sã consciência, vai esperar ver na TV Ponta Negra notícias que critiquem a gestão Micarla de Sousa (PV)?  Ou algum leitor da Tribuna do Norte vai esperar ler em suas páginas a notícia, denunciada pelo Estadão nesta semana, do lobby feito por Henrique Alves (PMDB) em favor de um empresário amigo?
Por isso, também, apenas O Jornal de Hoje repercutiu as denúncias, que publicamos em maio, do #Caixa2doDEMnoRN.  A Tribuna do Norte, que diz em seu editorial de hoje fazer um jornalismo isento e imparcial, falou do assunto uma única vez, mais de um mês depois, e apenas quando a jornalista Eliana Lima entrevistou o Procurador Geral de Justiça, Manoel Onofre Neto.
A mesma Tribuna do Norte teve acesso aos mesmos documentos que eu tive da Operação Assepsia.  No entanto, ao publicar matéria a respeito, "esqueceu" de comentar que o Ministério Público havia descoberto um depósito de dinheiro feito por Francisco de Assis Vianna, ex-coordenador financeiro da Secretaria Municipal de Saúde, na conta da prefeita Micarla de Sousa.
Isso sim é jornalismo isento.  Isenção, evidentemente, limitada.

Comentários

Postagens mais visitadas