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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Hackers entram na investigação de incêndios em favelas de São Paulo

O grupo Fogo no Barraco, constituído por jornalistas e programadores, realizará no próximo domingo (23) um "hackatão" para investigar a série de quase 600 incêndios que atingiram favelas da capital paulista, nos últimos quatro anos. Hacker Day é um encontro de pessoas interessadas em pesquisar dados públicos na internet e divulgá-los para a população, por meios de veículos de comunicação. O projeto colaborativo surge em um momento em que os moradores da favela do Moinho, que tiveram suas casas queimadas no início da semana, enfrentam forças policiais por não poderem reconstruir suas casas.

"O encontro é uma iniciativa da sociedade civil de querer saber os reais motivos desses incêndios e os motivos de eles não serem investigados apropriadamente", diz a jornalista Patrícia Cornils, uma das idealizadoras do evento. A ideia surgiu quando ela procurava, nas redes sociais, parceiros para lhe ajudar na apuração sobre os incidentes. "Queria saber o que aconteceu em cada favela, para onde levaram os moradores, e o que aconteceu com o espaço que ela ocupava", conta. Os parceiros foram aumentando, o programador Pedro Moraes criou o hotsite Fogo no Barraco, uma página de mapeamento colaborativo dos incêndios, e os envolvidos decidiram realizar o evento, para expandir a investigação.

O Hacker Day ocorrerá na Santa Cecília, na zona oeste de São Paulo, e qualquer um pode participar. "Jornalistas, programadores, pesquisadores e curiosos são convidados a colaborar", disse Patrícia. A pauta de apuração será realizada no dia, após um cruzamento de dados entre as pessoas que já realizam pesquisas sobre os incidentes. "Já fizemos muita apuração. Precisamos decidir os próximos passos. Vamos ver onde o processo vai levar a gente", comentou ela.

Muitos dos incêndios ocorreram em favelas localizadas em lugares de interesse imobiliário ou que deverão sediar projetos de infraestrutura da cidade, como é o caso da favela do Moinho, cujo espaço poderá receber uma estação da CPTM ou um parque. Líderes comunitários e ativistas políticos afirmam que os incêndios são causados para atender esses projetos. A Defesa Civil já afirmou que muitos deles têm origem criminosa, mas descarta que tenham sido causados por interessados nesses empreendimentos.

Os incidentes são alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incêndios na Câmara Municipal de São Paulo. Contudo, esta vem sendo tratada com negligência pelos vereadores –aliados do prefeito Gilbero Kassab (PSD) – que a compõem. A comissão foi instaurada em abril, mas até agora não houve investigação efetiva. Após uma série de quatro incêndios em duas semanas, finalmente foram escolhidos vice-presidente e relator e realizadas as primeiras reuniões.

Hacker Day: incêndios nas favelas
Domingo (23), 15h
Rua das Palmeiras, 103 - Santa Cecília
Contato: fogofavela@gmail.com

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