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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

As máscaras na revolta social

As pessoas que criticaram as máscaras, capacetes, balaclavas e assemelhados nos protestos de rua desta semana em Natal nada entenderam do que está acontecendo.
Em primeiro lugar, a presença de policiais infiltrados fotografando e filmando todos já seria um bom motivo para os rostos cobertos. Afinal, cientes da possível repressão, muitos temem ser identificados como "lideranças" de um movimento sem líderes e serem tomados como exemplos punitivos. Vai dizer que não sabemos que a nossa militarizada polícia age justamente dessa forma?
Porém, mais importante que isso é algo ligado ao espírito dos tempos. Não é à toa que a máscara de Guy Fawkes se tornou símbolo dos movimentos de rua globais e, principalmente do Anonymous.
"Somos muitos, somos legião". O rosto coberto simboliza a diminuição do individual e a submissão à causa coletiva. No mundo inteiro a máscara se tornou símbolo de um movimento de juventude, de rua. Politizado e politizante.
Tem gente que tem dificuldade de entender o tempo em que vivemos. As comparações mais esdrúxulas - como a do repórter Thyago Medeiros que comparou as marchas das ruas à morte de PMs ou do fotógrafo Ney Douglas que disse que só via gente de rosto escondido nas rebeliões de Alcaçuz - são representantes dessa incompreensão.
Mas esse é um cenário que avançará nesse sentido. E a nossa juventude é hoje uma força incontrolável de mudança.

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