Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

As máscaras na revolta social

As pessoas que criticaram as máscaras, capacetes, balaclavas e assemelhados nos protestos de rua desta semana em Natal nada entenderam do que está acontecendo.
Em primeiro lugar, a presença de policiais infiltrados fotografando e filmando todos já seria um bom motivo para os rostos cobertos. Afinal, cientes da possível repressão, muitos temem ser identificados como "lideranças" de um movimento sem líderes e serem tomados como exemplos punitivos. Vai dizer que não sabemos que a nossa militarizada polícia age justamente dessa forma?
Porém, mais importante que isso é algo ligado ao espírito dos tempos. Não é à toa que a máscara de Guy Fawkes se tornou símbolo dos movimentos de rua globais e, principalmente do Anonymous.
"Somos muitos, somos legião". O rosto coberto simboliza a diminuição do individual e a submissão à causa coletiva. No mundo inteiro a máscara se tornou símbolo de um movimento de juventude, de rua. Politizado e politizante.
Tem gente que tem dificuldade de entender o tempo em que vivemos. As comparações mais esdrúxulas - como a do repórter Thyago Medeiros que comparou as marchas das ruas à morte de PMs ou do fotógrafo Ney Douglas que disse que só via gente de rosto escondido nas rebeliões de Alcaçuz - são representantes dessa incompreensão.
Mas esse é um cenário que avançará nesse sentido. E a nossa juventude é hoje uma força incontrolável de mudança.

Comentários

Postagens mais visitadas