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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Para que serve um Código de Ética de jornalistas?

Enquanto preparo as disciplinas que serei responsável no curso de jornalismo na Universidade Federal do Ceará, me deparei com uma leitura do código de ética da profissão. E foi impossível não ter de lidar com algumas questões importantes.
Segundo o código de ética do jornalista, é "dever do jornalista: (...) e) Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos".
Acho que muitos profissionais da área, que defendem sua própria ética, jamais perceberam esse item. Não são poucos os jornalistas que vêm a público defendendo, por exemplo, as maiores e mais graves afrontas aos direitos do homem e à sua declaração universal. Não se envergonham e nada temem por proferir declarações em confronto com o nosso código de ética, como a defesa de execuções extra-judiciais por parte da polícia ou o linchamento de criminosos.
Também diz o Código que é dever do jornalista combater "e denunciar todas as formas de corrupção". Fiquei me perguntando sobre o que pensam meus colegas, em Natal, que suprimiram de seus noticiários todas as informações acerca do #Caixa2doDEMnoRN. Ou o que tenha motivado a decisão editorial que levou à Tribuna do Norte a publicar os mesmos depoimentos que eu tenho publicado acerca da Operação Assepsia, porém omitindo as informações sobre o depósito de dinheiro por parte de Francisco de Assis Rocha Viana na conta da prefeita Micarla de Sousa (PV) e sobre o que disse o ex-secretário de saúde do estado, Domício Arruda, de que todas as decisões referentes à contratação de OS sob investigação foram tomadas pela governadora com o aval do procurador geral do estado, Miguel Josino.
Também prevê o código de ética do jornalista que este "não pode: (...) b) Submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação". E isso é certamente o que mais vemos por aí.
Sabe o que pode ou vai acontecer aos profissionais que violam os preceitos do nosso código de ética? Nada. Não há nenhum órgão regulador que possa fazer valer o que prescreve a regra. E isso é temido, absolutamente, pelos patrões que não querem ver o seu poder de manipular informações diminuído.
A criação de um Conselho Federal da profissão somente não interessa a quem teme o livre exercício do jornalismo e a constituição de instâncias profissionais que nos ajudem nessa regulação.
Um código de ética de jornalismo só vai ser efetivo e verdadeiro quando houver o poder de punir. E esse poder de definição somente será possível na constituição de um Conselho Federal dos Jornalistas - fator fundamental para uma ampliação do processo de democratização da informação e da própria consolidação do processo democrático brasileiro.

Comentários

  1. E um último detalhe. Vc pode fazer uma denúncia/representação junto ao Sindicato dos Jornalistas contra seu(s) colega(s) ou veículo que atentou contra as regras do código de ética. Vai lá...
    O bom de jornalista é isso, falar é fácil.

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  2. O exercício da crítica e da auto-critica profissional é fundamental na formação profissional. Nada anti-ético, ao contrário.
    Esse espaço é espaço para a crítica. Sempre foi e sempre será.
    E eu não sou professor de ética. Mas ninguém pode me cassar o direito de expressar minha crítica.

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