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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Para Petrobras, empregado mente e Jesus esteve no Sinai


Um tempo atrás publiquei entrevista com Hélio Silva, empregado da Petrobras que, vítima de assédio moral, tem visto seus sonhos e sua saúde desmoronar pela ação da empresa - gerencial e jurídica.
Em 20 de julho do ano passado, Hélio ingressou com ação trabalhista contra a Petrobras em virtude do excesso de horas-extras trabalhadas - aliás, diversos são os empregados de sua gerência que apresentaram ações semelhantes. Apenas em 4 de novembro, quase quatro meses depois, o empregado da Petrobras começou seu curso de medicina.
No entanto, "o que causa espécie" - para usar a expressão utilizada pelos advogados da empresa -, é que a defesa da Petrobras não tendo muito o que dizer solicitou à justiça que fosse oficiado à Universidade do Estado do RN para que fosse concedida a lista de freqüência às aulas de Hélio Silva para que fique provado que o empregado mente ao dizer que trabalhava 17 horas por dia - o que seria impossível para quem cursa medicina.
Inacreditável o desespreparo - desespero? - para ação por parte da Petrobras, uma vez que a ação pelas horas extras é anterior ao ingresso de seu empregado no curso de medicina.
O trecho, porém, que me fez rir na defesa da Petrobras - e que mais uma vez mostra seu despreparo - se deu quando o advogado da empresa quis fazer troça com o caso, citando o milagre bíblico de Jesus multiplicando pães e peixes:

Acaso seja verdade, da mesma forma como Cristo realizou com os pães, em episódio acontecido no Monte Sinai, o autor conseguiu realizar o "milagre da multiplicação das horas", fazendo com que seu dia consiga ter mais do que as "tradicionais" 24 horas. 

Quem esteve no Monte Sinai, doutor advogado, foi Moisés recebendo as tábuas da Lei, não Jesus multiplicando pães e peixes. Aliás, aquela lei de Moisés era suficiente para garantir os direitos de Hélio - fosse na garantia da integridade e da saúde do trabalhador, fosse na previsão dos descansos sabáticos, anos de remissão e jubileus.  
Vergonhosa a forma como a Petrobras - que se afirma como social e ambientalmente responsável - trata um técnico valioso, capaz mas que, por responsabilidade dela, tem visto sua vida laboral se esgotar, já tendo estado com a saúde extremamente fragilizada.                                                  

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