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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#ForaMicarla: De que tem medo a prefeita sobre a Ditadura?

O veto que a ex-prefeita em exercício, Micarla de Sousa (PV), apresentou ao projeto que cria a Comissão da Verdade e Justiça no município de Natal é de fazer pensar. O que teme a prefeita?
Impossível não associar o veto ao seu pai, que surgiu e cresceu politicamente agarrado à ditadura militar que assolou o país por 21 anos. Talvez a prefeita tenha optado em preservar a memória de seu pai mesmo que em troca isso possa representar o não-acesso à memória à toda coletividade.
O momento máximo da carreira do senador Carlos Alberto de Sousa foi a relatoria da CPI que investigou o atentado ao Rio Centro, cometido por militares nas festas de Primeiro de Maio em 1981. Livrando os militares e o governo, Carlos Alberto recebeu, como pagamento, a concessão da TV Ponta Negra - primeira televisão comercial do estado.
Aliados próximos à prefeita também tem contas a acertar com a história do país e da cidade. Sejam os herdeiros da Arena, partido que sustentava a ditadura, que são o PP do vice-prefeito Paulinho Freire e DEM do líder Enildo Alves, ou sejam os amigos de sempre do PMDB, como o deputado Henrique Alves. É que aqui em Natal a opinião pública sofre de uma amnésia profunda e esquece que os Alves, liderados por Aluizio Alves, foram apoiadores de primeira hora do golpe que derrubou João Goulart. Não podem ser lembrados disso.
Quantos segredos poderiam ser revelados por uma Comissão da Verdade em nossa província? Quantos membros fiéis, educados e democráticos dessa sociedade não arrastam consigo esqueletos ditatoriais em seus históricos armários? Nossa elite potiguar não pode ser desnudada. Melhor enterrar tudo.
Parabéns pelo constrangedor veto, Micarla.

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