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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Ditadura Rosado: Estudante relata agressões no Facebook

Por Marcelo Lima


Estilhaços de uma bomba atingiram o meu rosto, muito próximo do meu olho direito. Tudo isso simplesmente porque estava exercendo a plena cidadania, supostamente garantida a todo brasileiro. E como se tamanha violência não bastasse, também fui preso.

 

Por volta das 20h desta quarta-feira (29) a Polícia Militar do Rio Grande do Norte iniciou um ataque contra estudantes e vários cidadãos que organizaram ato público contra o aumento da tarifa de ônibus. Na manifestação havia cerca de 1.200 pessoas (número negado pela Polícia Militar, mas que a parca experiência adquirida na cobertura jornalística de atos do tipo me permitiu aferir).

 

A Polícia Militar do Rio Grande do Norte encurralou os manifestantes na altura do Supermercado Nordestão. A força de segurança então iniciou o ataque com tiros e bombas. A única forma de defesa dos estudantes foram pedras.

Estilhaços da bomba atingiram em cheio o meu rosto, muito próximo do olho direito. Depois de uma dispersão inicial da multidão, decidi procurar os policiais para saber quem estava no comando da operação, pois a minha intenção é realizar denúncia contra o responsável pela lesão corporal sofrida.

Com a truculência policialesca comum, os militares se negaram a dizer quem estava no comando. Inclusive, a maioria deles não estava identificada. Apenas um tal de Denilson, de quem eu não verifiquei a patente. Com o modo pacífico de sempre, exige a informação e não obedeci a "ordem" de me retirar do local.

Prisão

Sem pensar duas vezes, os policiais me prenderam, justificando "desacato à autoridade". Denilson segurou-me pelo braço e trancou dentro de um camburão. Eu, um estudante, ser pacífico ao extremo, fui trancado no mesmo espaço em que o Estado brasileiro amontoa assassinos, sequestrados e estupradores. Alías, lugar pelo qual a excelentíssima Prefeita Micarla de Sousa e a comandante máxima da Polícia Militar, Rosalba Ciarlini, e tantos outros vermes políticos, deveriam passar.

Fiquei no camburão por volta das 20h20 até as 20h55, quando cheguei à delegacia de Plantão de Candelária. Na delegacia, um policial civil ouviu minha versão e também a de um dos policiais militares. Foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) que resultará em uma audiência no dia 11 de setembro. Por incrível que pareça, depois de quase ter perdido a visão, ainda vou responder em juízo o motivo do tal "desacato".

Na mesma delegacia, peguei uma guia para fazer exame de corpo de delito. Com o exame em mãos, vou realizar uma denúncia contra o comandante da operação – seja ele quem for – na Corregedoria da Polícia Militar. Também acionarei o Ministério Público, que deverá investigar os excessos da ação da Polícia Militar do RN cometidos contra as pessoas. Vale lembrar também que a Avenida Salgado Filho é jurisdição federal.

Ações policiais como a desta quarta-feira são dignas de países autoritários, onde a democracia ainda não chegou e cidadania é um vocábulo inexistente. Isso mostra também que o Estado de Direito existente no Brasil é só um discurso. É completamente inconcebível que um movimento que fale em nome de 400 mil cidadãos, que usam o transporte público diariamente em Natal, seja reprimido da forma que foi. Acorda Natal, acorda RN!

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