Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Baco e Jesus

Na ultima sexta-feira, estivemos na UFRN para acompanhar o "Con-versa e prosa", com o professor de literatura da USP e compositor, José Miguel Wisnik. Uma rica e agradável conversa.
Uma das coisas que nos chamou a atenção foi essa música que desconhecíamos ("Comida e Bebida"), na gravação abaixo cantada por Elza Soares. Em que pese a letra ser um trecho de uma peça grega que representa uma defesa do deus Baco, impossível não perceber a intensa relação que as palavras têm com aquilo que conhecemos de Jesus. Ele, que disse que a comunhão consigo se fundamentava em comer (o pão) e beber (o sangue), é comida e bebida em cada celebração da Ceia, "um Messias que se bebe"!


http://laboratoriodesensibilidades.wordpress.com/2012/02/20/comida-e-bebida-elza-soares-canta-musica-e-letra-baseada-num-fragmento-de-as-bacantes-de-euripedes-traduzido-por-ze-celso-marcelo-drummond-catherine-hirsche-e-denise-assuncao/

COMIDA E BEBIDA – Elza Soares canta música e letra baseada num fragmento de As Bacantes de Eurípedes, traduzido por Zé Celso, Marcelo Drummond, Catherine Hirsche e Denise Assunção

Ouça no link abaixo e acompanhe a letra.

Comida e Bebida

(Zé Miguel Wisnik/Zé Celso Martinez Correa)

Só duas coisas têm valor na vida:

comida e bebida

comida e bebida

comida é terra

deusa terra

dê-me terra

tua velha conhecida

que você chama

pelo nome que te apraz

pois com comida sólida

ela dá de mamar

ela dá de mamar

ela dá de mamar

aos mortais

agora soma para multiplicar bebida

que o filho de sêmele trouxe divino

do fruto molhado da vinha

embebedando os mortais

e liquidando os seus ais

trazendo o sonho o apagamento

dos endividamentos de cada dia

um deus que aos deuses se dá

um deus que se põe ao dispor

não há melhor drogaria pra dor

a ele que se deve o que se dá e se recebe

o bem que se tem e que se detém

um messias que se bebe

Comentários

Postagens mais visitadas