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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Um ano sem #EdinaldoFilgueira

Por Alberto Perdigão

"As pessoas têm medo de morrer por se expressar", disse o jornalista-cidadão Tiago Aguiar(@t_aaguiar), ao descrever o silêncio que tomou conta dos moradores de Serra do Mel, no Rio Grande do Norte, depois que o blogueiro Edinaldo Filgueira foi assassinado. Aguiar, que fez um documentário sobre o crime, relatou a dificuldade de encontrar na cidade depoentes dispostos a aparecer no vídeo. Hoje, um ano depois do crime, os estampidos dos seis tiros que mataram Edinaldo ainda ecoam na memória e na consciência dos serramelenses. Mas, sobre o caso, ninguém fala nada.

O vídeo, intitulado De Ferro e de fogo, foi realizado de forma voluntária para documentar um caso extremo de violência contra a liberdade de expressão, de que as emissoras de televisão não falam e os jornais da região não escrevem. O vídeo está sendo disseminado nas redes sociais, para lembrar o crime de pistolagem, com motivação política, que corre o risco de cair no esquecimento. De ser mais um a engrossar a estatística dos homicídios impunes do interior do Nordeste. E de estimular os coronéis modernos da nossa democracia antiquada a sentenciar com pena de morte os novos atores do jornalismo-cidadão.

O mandante da morte de Edinaldo, segundo a investigação da polícia confirmada na denúncia oferecida pelo Ministério Público potiguar, é o prefeito de Serra do Mel, Josivan Bibiano (PSDB). Ele arregimentou oito pessoas para matar o blogueiro, em represália às notícias postadas em o-serrano.blogspot.com. Três dos assassinos estão presos. Outros cinco aguardam o julgamento em liberdade, sugerindo aos munícipes menos informados que são inocentes. Entre eles, o prefeito que, além do foro privilegiado, desfruta da prerrogativa de seguir administrando o Município, como se nada tivesse acontecido.

E se ocorresse o contrário? Se um blogueiro cidadão comum, de origem pobre, dirigente municipal do PT, mandasse matar o prefeito, por se sentir incomodado com informações levadas à esfera pública? Talvez o caso tivesse mais repercussão na imprensa, nas mídias sociais, na opinião pública e no Tribunal de Justiça.

Finalizo com o que disse, ao ver o vídeo. o blogueiro que já sofreu agressões de prefeito e vereador no interior do Ceará, Raimundo Moura (raimundomoura.blogspot.com): "Minha Serra do Mel é Pentecoste". Outra vítima da mesma cidade, Zé da Legnas (www.noticiasdepentecoste.com), afirmou: "Me vi todinho neste vídeo".

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