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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Tatto: Erundina traz a esquerda; Maluf, a direita

No Brasil 247

As alianças com o PP, de Paulo Maluf, e o PSB, de Luiza Erundina, deram ao pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo mais de 7 minutos de tempo de propaganda eleitoral. Mais do que isso, na avaliação do líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), as figuras de Maluf e Erundina vão garantir ao petista votos que o partido normalmente não alcançaria. "O Maluf agrega um eleitor que não vota PT, que é o eleitorado conservador, de direita. Já a Erundina pega a esquerda, a igreja progressista", disse o petista ao portal IG. Vista por esse lado, a estratégia beiraria a perfeição, mas coligar com apostos não vai tirar nenhum voto de Haddad, deputado?

Erundina foi a primeira a externar desconforto sobre a possibilidade de frequentar um palanque ao lado de Maluf. Se nem do lado de dentro da coligação o clima é de conforto, imagina do lado de fora. A mensagem que o PT passa ao coligar com PP e PSB é de que vale tudo para eleger Haddad. Ainda que alguns de seus eleitores concordem com o raciocínio, outros tantos, que ainda conseguiam ver no partido uma sigla diferente, acabam de ganhar um motivo para passar a tratar o PT como qualquer outra legenda.

Com as alianças em São Paulo, o PT vira definitivamente um partido igual ou até pior, já que, na lógica de Tatto, se assume de dois lados e pode acabar sem nenhum. Ao tentar "garantir" os votos de direitistas e esquerdistas (o próprio Maluf disse que eles não existem mais), o PT não estaria se livrando do voto de confiança que seus eleitores insistiram em lhe dar mesmo após denúncias e denúncias de corrupção? Por mais que os dirigentes do partido insistam em negá-lo, não há como esconder o clima de desconforto.

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