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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Quem é o procurador que detrata a UNE?


Do Blog Fatos Sociais

Nesta última sexta-feira (08/06) o jornal O Globo voltou a trazer para a manchete de sua capa uma matéria contra a União Nacional dos Estudantes. A matéria ocupou uma página inteira do jornal para inferir sobre supostos desvios nas contas da entidade estudantil.

Existem dois tipos de padrões de manipulação da informação muito utilizados pela imprensa: o primeiro padrão consta de se elaborar uma pauta no "aquário" – espaço como é conhecido o gabinete do editor chefe – e convocar alguns "especialistas" de sempre para dar credibilidade para a notícia; outro padrão costumeiro acontece quando o próprio aquário é pautado por suas "fontes" e seus interesses.

A matéria do jornal O Globo desta sexta-feira é claramente um exemplo deste segundo padrão. Pautado pela denúncia do procurador do Tribunal de Contas da União, Marinus Marsico, o jornal O Globo apresentou algumas suspeitas como se fossem crimes já julgados.

Marsico é um oponente conhecido da esquerda brasileira. Uma de suas ações mais famosas deveu-se a tentativa de revisar a lei de indenizações aos que foram perseguidos pela ditadura civil-militar no Brasil. O procurador não considera justo que o Estado brasileiro através da Comissão de Anistia peça desculpas aos que foram torturados ou aos familiares dos mortos naquele período. Marsico também costuma ocupar as páginas da imprensa quando o assunto é o MST. Nos últimos anos o procurador se preocupou em impedir que recursos do governo federal fossem repassados para os movimentos rurais que batalham por uma terra para trabalhar. Outro alvo costuma ser o imposto sindical. Ou a coincidência é muito grande ou existe de fato uma seletividade ideológica nas investigações do procurador. Talvez por isso ele seja uma figura tão presente na imprensa brasileira.

O que aconteceu nesta sexta-feira foi mais uma demonstração de como os padrões de manipulação na grande imprensa se confirmam. O jornal O Globo apropriou-se de uma matéria oferecida pelo procurador e requentada – há tempos já havia aparecido a suposta denúncia na revista Veja – para atacar a UNE. Coloca em sua manchete a denúncia como se ela já não tivesse sido explicada e esvaziada e a transforma em fato consumado, tornando a vítima em ré. Além de, como é de costume, não ter aberto nenhum espaço para a publicação da nota da UNE em resposta ao jornal.

O procurador Marinus Marsico tem todo o direito de investigar quem ele quiser, inclusive tem o direito de selecionar apenas uma classe para investigar. Assim como os movimentos sociais têm o direito de denunciar o corte de classe existente na seleção dos investigados do procurador.

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Comentários

  1. Sou de esquerda, filho de militantes, meu nome é Engel, o nome do meu pai é José Karl Marx, meu avô foi amigo por mais de 50 anos de Prestes. Tenho um tio já torturado e desaparecido político desde 1974. Aprendi a ler as obras de Marx aos 9 anos. Daniel, eu lhe peço, mostre logo todas essas contas rapaz. Ser de esquerda não é isto, ajude-nos a limpar esta pecha maldita que "comunista é tudo bandido". Rapaz não suje a obra que tanto acredita. Por culpa do PT sinto quase vergonha de falar que sou de esquerda, sou filho de dois professores universitários, ex-petistas e fundadores do partido. Daniel mostre todas as contas e acabe de vez com essas desconfianças. O PT se vendeu, não faça o mesmo camarada!

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    Respostas
    1. Acho que está havendo uma confusão. Eu tenho dito, inclusive aqui no Blog, que os indícios são muito sérios e merecem ser investigados e esclarecidos. Mas eu nao tenho o poder de mostrar as notas e "limpar" o nome dos comunistas. Sequer sou da UNE. Alias, nao sou petista tb.
      Abraços

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