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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Pesquisa SINDUSCON/CONSULT tenta forjar opinião pública inexistente sobre hotéis na Via Costeira

Por Daniel Menezes

Não é novidade que, numa pesquisa de opinião, dependendo do modo como a pergunta é feita, ela acaba direcionando o entrevistado a apontar uma determinada resposta, secundarizando as demais opções.

Foi justamente o que aconteceu na última pesquisa Sinduscon/Consult publicada hoje. No levantamento há a seguinte indagação:

Em sua opinião, o(a) sr.(a) (você) é CONTRA ou A FAVOR da construção de novos hotéis na Via Costeira, em terrenos que encontram-se vazios?

Ora, quem pode ser contra a construção de hotéis em terrenos vazios? Eu não seria, caso fosse perguntado. Hotéis trazem emprego e desenvolvimento. Obviamente, portanto, a maioria se mostrou, na "sondagem", a favor da construção de NOVOS HOTÉIS NA VIA COSTEIRA, EM TERRENOS QUE ENCONTRAM-SE VAZIOS.

Mas há aqui uma artimanha sorrateira, que alguns estudiosos de pesquisa de opinião chamam de "imposição de problemática", com o objetivo explícito de "forjar opinião pública inexistente", (ler Pierre Bourdieu, Patrick Champagne ou Barbbie Earl).

O truque está na realidade contida na pergunta que acaba por impor um cenário inexistente e levando o entrevistado a erro.

A construção dos hotéis na via costeira, celeuma que vem se arrastando na esfera pública na última semana (para entender melhor leia: http://www.cartapotiguar.com.br/2012/06/11/por-que-sou-contra-a-construcao-de-hoteis-na-via-costeira/), não será empreendida simplesmente em "TERRENOS VAZIOS". Os empresários querem erguer seus complexos hoteleiros numa AREA DE PROTEÇÃO PERMANENTE (APP), que não tem SANEAMENTO BÁSICO. Ou seja, os LENÇÓIS FREÁTICOS, de onde a gente tira parte significativa da ÁGUA QUE BEBEMOS, podem ser contaminados.

Em resumo, por que o IBAMA não quer conceder as licenças de construção? Porque, além de ser uma APP, que tem o objetivo de equilibrar ecossistema, os empreendimentos vão encher a nossa ÁGUA DE FEZES.

Então, se quisesse questionar o entrevistado sobre uma realidade de fato condizente com o contexto que envolve a pergunta, estabelecendo um mínimo de parâmetro de honestidade intelectual, ela deveria ser:

Em sua opinião, o(a) sr.(a) (você) é CONTRA ou A FAVOR da construção de novos hotéis na Via Costeira, em ÁREAS DE PROTEÇÃO PERMANENTE, SEM ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL, CONFORME MANDA A LEI, E SEM SANEAMENTO BÁSICO?

E aí, alguém ainda acredita que a maioria seria a favor das construções?

INFORMAÇÃO

Tenho certeza de que o cidadão natalense, se fosse bem informado, não aceitaria as construções na Via Costeira em APPs, sem nenhum estudo de impacto ambiental e, provavelmente, para encher a nossa água de fezes.

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