Outra semelhança, dessa vez fartamente descrita na petição do MPE, é a parceria do procurador municipal Alexandre Magno, que foi cedido do Município para o Estado e atuou, segundo o ex-secretário de Saúde, Domício Arruda, como consultor, "em vários contratos", incluindo o da Marca.
Procurador era assessor da Secretaria Estadual de Saúde Embora não seja objeto da Operação Assepsia, os promotores do Patrimônio Público dedicaram alguns trechos da petição que serviu como base para prender seis pessoas e realizar várias apreensões de documentos ao início da utilização de organizações sociais na Secretaria Estadual de Saúde. O início desse processo se confunde com a cessão do procurador municipal Alexandre Magno Alves para a Secretaria Estadual de Saúde, no dia 16 de setembro de 2011, pelo período de um ano. O procurador já foi "devolvido" ao Município.
Para entender o contexto dessa cessão, é preciso observar a forma como a petição do MPE cita o fato, tendo como base interceptações telefônicas entre o ex-secretário municipal de Saúde e o próprio procurador: "o objetivo da presença de ALEXANDRE MAGNO na Secretaria Estadual de Saúde é unicamente viabilizar a contratação de organizações sociais do terceiro setor para administrar recursos públicos destinados à área de saúde". O procurador trabalhou de setembro do ano passado a junho deste ano com atuação direta junto ao secretário de Saúde.
Em contato com o ex-secretário Domício Arruda, gestor à época, a reportagem confirmou o motivo da cessão. "Tínhamos carência de assessores jurídicos na Sesap e o procurador do Município tinha experiência no assunto. Ele deu consultoria em vários contratos", explica Domício Arruda, acrescentando que não teve acesso a nenhuma prestação de contas da Marca e que à época da contratação não havia nenhuma suspeita sobre a OS. "Fizemos um convite à Marca porque era a única que estava atuando no Estado e o nosso contrato é diferente do contrato do Município, porque a Marca não gere um hospital público, mas um hospital privado, que foi alugado e montado no perfil desejado pela Secretaria", acrescenta.
Há uma outra interceptação, dessa vez com uma conversa entre o próprio Domício Arruda e Alexandre Magno Alves. Lá, o ex-gestor estadual da Saúde diz, no dia 28 de junho de 2011, que a governadora Rosalba Ciarlini queria "alugar o Hospital da Unimed em Mossoró e transformá-lo numa unidade materno-infantil".
Mais uma gravação telefônica, dessa vez entre uma das controladoras da Marca, Rose Brava, supostamente demonstra, para os promotores, que houve direcionamento à OS que já atuava no Município de Natal. Na conversa, uma interlocutora identificada como Fabrícia fala com Rose sobre a possibilidade de a Marca atuar em Mossoró. "Salta aos olhos, então, o direcionamento conduzido por ALEXANDRE MAGNO para que a entidade do terceiro setor a ser contratada pelo Estado seja a Marca, a mesma entidade que ele ajudou a se instalar no Município de Natal", avalia.
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