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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Ato falho no julgamento de Celso Daniel

Por Paulo Moreira Leite

Acabo de ler nos jornais que o julgamento de cinco acusados pela morte do prefeito Celso Daniel, de Santo André, envolve um "duro embate" entre o ministério público e o PT. É uma piada.

A polícia civil de São Paulo fez uma investigação e concluiu, após ouvir todas as testemunhas disponíveis, que ocorreu um crime comum. Meses depois, o inquérito foi reaberto. Chegou-se a mesma conclusão. Quatro anos depois da morte de Celso Daniel, uma delegada, Elizabeth Satto, foi encarregada de refazer a investigação. Chegou ao mesmo resultado: crime comum. Por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Policia Federal colocou um delegado para investigar o caso. Ele chegou a mesma conclusão.

Há um confronto de opiniões, sim, mas entre a Polícia Civil + a Polícia Federal, contra o Ministério Público. Os procuradores dizem que foi um crime encomendado, ou de mando.

Você pode ter qualquer opinião sobre o caso. Quem diz que é um conflito político entre o MP e o PT deveria admitir a hipótese oposta, de que esteja ocorrendo um "embate" entre a Policial Civil e o PSDB.

Deve reconhecer que existam interesses políticos por trás desse imenso esforço para contrariar dois inquéritos diferentes, conduzidos por dois delegados diferentes, que chegaram a uma mesma conclusão.

Seguindo nessa visão conspiratória de que vai ocorrer um "embate" político, também é lícito reconhecer que é bem mais fácil demonstrar as ligações entre o ministério público estadual e o PSDB do que entre e o PT e a polícia paulista.  Alguma dúvida?

Como ensinam os psicanalistas, ocorreu um ato falho. E como sabem os analisandos, um ato falho nunca é gratuito.

O pressuposto deste ato falho é político e é tucano. Considera que só o PT pode ter interesses políticos no caso. E o PSDB, não tem? Será que não pretende usar uma sentença judicial como instrumento para atacar o adversário?

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