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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A guerra de versões entre a Globo e o Globo

Por Weden
No Luís Nassif Online

As duas "teses" da grande imprensa (a partir da matéria da Veja) sobre o suposto "crime de chantagem" praticado por Lula contra Gilmar Mendes foram desmentidas, ontem, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal em entrevista para a Globo.

As declarações ganharam edições distintas.

As teses eram: 1) Lula pediu o adiamento do julgamento do "mensalão"; 2) Em troca, ofereceu blindagem a Gilmar Mendes.

O problema é que, no jornalismo, quando se quer sustentar a propaganda, até a notícia é sacrificada.

Vamos à decupagem do Jornal Nacional:

“Não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão. Manifestou um desejo, eu disse da dificuldade que o tribunal teria. Ele não pediu a mim diretamente. Disse: ‘O ideal era que isso não fosse julgado’. Então eu disse: ‘Não, vamos torcer para que haja um julgamento, e é tudo que o tribunal quer, e essa é a minha posição em matéria penal, é muito conhecida.”

Ou seja, uma conversa comum. Lula expressou o desejo de que o julgamento não fosse esse ano. Gilmar manteve sua opinião de que deveria ser logo.

Cadê a pressão? Cadê o pedido de adiamento?

Já na Globonews, Gilmar diz textualmente que não houve oferta de blindagem. Vamos às transcrições:

(A repórter pergunta): "Em algum momento (houve) a situação realmente de oferecer uma blindagem em relação às investigações que ocorrem no caso Carlinhos Cachoeira?"

(Resposta de Gilmar): "Não. Isso não se coloca dessa forma".

Ao final do texto, a matéria do JN reafirma: "Os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski confirmaram que tiveram encontros com o ex-presidente Lula, mas negaram ter sofrido qualquer tipo pressão por parte dele."

Exatamente o que diz a nota de Lula, que não negou o encontro, não negou a conversa, mas não confirma nem oferta de blindagem e nem pedido de adiamento.

Mas...

No dia seguinte, vem o Globo e mancheta:

"Guerra de versões entre Lula e Gilmar desafia CPI e Supremo".

Manteve-se a propaganda. Sacrificou-se a notícia.

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