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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Por que não vou a Chico Buarque?

Por Fábio Farias


O motivo é curto e grosso: porque R$ 380 é muito dinheiro. E nem se fosse por R$ 180, a meia-entrada que infelizmente não tenho mais direito, eu também não iria. É muito para passar pouco mais de uma hora ouvindo músicas que provavelmente já tenho no meu computador, ou que posso vê-las serem cantadas por Chico Buarque em qualquer DVD de especiais dele.

Do ponto de vista econômico, do custo-benefício, para mim não vale a pena. Nada aqui de desvalorizar o trabalho de Chico que é um dos maiores compositores brasileiros e também um puta escritor (sim, faço parte do grupinho que gosta da literatura de Chico Buarque), mas uma questão de ordem econômica: pagar mais de R$ 100 em um show, para mim, é um absurdo completo. Não importa quem seja o cantor.

É óbvio que mora aí uma questão de mercado. E essa questão se movimenta basicamente em dois eixos: um, o fato de Chico Buarque raramente fazer shows, o que valoriza as apresentações ao vivo dele; dois, o fato de haver uma espécie de endeusamento quase místico da figura do artista que, mesmo genial como ele é, não passa de um ser humano de carne e osso como todos nós.

Eu entendo essas coisas de fãs, de blábláblá, do cara ser charmosão e tudo o mais. Tenho uma tendência a acreditar até que muita gente vai ao show mais pela figura dele e pelo o que ele representa, do que pelas músicas em si. Coisa que deixa a situação mais ilógica ainda para mim. Dispensar uma pequena fortuna para simplesmente ver um indivíduo cantar não consegue ser coerente na minha cabeça. E não importa se é Chico Buarque, Bob Dylan, ou – sei lá – Leonard Cohen.

É bom frisar que o preço exorbitante ocorre por culpa da produtora local. No Rio de Janeiro, por exemplo, o ingresso mais barato para um show de Chico Buarque custava R$ 60, um valor que já considero pagável. Enquanto que em Recife o ingresso mais barato estava a R$ 140 e em Natal – terra dos pseudos novos ricos – o mais barato sai ao nada palatável valor de R$ 180 – para mim um abuso.

Vale a comparação, o preço mais barato do ingresso aqui é o triplo do que é pago no Rio de Janeiro e em São Paulo para assistir ao mesmo show. Justo? Óbvio que não, muito menos lógico. Me pergunto se os custos do show em Natal são o triplo do show no Rio de Janeiro, tendo a acreditar que não. Mas como há pessoas que não se importam com a exploração comercial disso, a produtora abusa no preço e o consumidor de cultura, sobretudo aquele que é liso, mas que também é fã, sai prejudicado.

Li em algum lugar no twitter: melhor é comprar um Whisky, chamar os amigos, ficar em casa e assistir a um DVD ou BlueRay dele. Serão quase as mesmas músicas. E com as vantagens de ser mais barato, mais confortável e o sujeito ainda não precisaria esperar numa fila imensa para tentar garantir a entrada ao show. Bendita Geni.

Ps. A termos de comparação: preço mais barato de Caetano e Maria Gadu em Natal no ano passado: R$ 100. Maria Bethania: R$ 125. Chico: R$ 180. O ingresso mais barato de Chico Buarque custa 44% mais caro do que o da Bethânia. A produção dele é, também, 44% mais cara?

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