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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Operação Sinal Fechado: Quem defende Gilmar da Montana?

O Jornal de Hoje, em sua edição de ontem, publicou mais uma defesa de José Agripino (DEM) através da tentativa de desqualificação do depoimento prestado por Gilmar da Montana ao Ministério Público em 24 de novembro, logo após ser preso em casa.
Algumas coisas na nova matéria chamam a atenção em comparação ao texto distribuído pela assessoria de imprensa do senador José Agripino no fim da semana passada. Em primeiro lugar, trata-se de um advogado diferente daquele cuja entrevista foi publicada na Tribuna do Norte. A Tribuna publicou entrevista com José Luiz C. de Lima. Já o JH entrevistou Arsênio Pimentel.
Lima não atacou o MP mas alegou que:
1) Gilmar foi levado do hospital para prestar depoimento, estando, pois, medicado;
2) O depoimento teria sido prestado sem assistência de advogado;
3) Gilmar teria negado em novo depoimento o teor do primeiro.
Acontece que Gilmar foi preso em casa na manhã do dia 24 de novembro e levado imediatamente para prestar depoimento ao MP. Depoimento esse acompanhado pela advogada Claudia Cappi. Além disso, quatro dias depois de preso e após ter sido internado, Gilmar foi conduzido para novo depoimento, no qual permaneceu em silêncio - não desmentiu o depoimento anterior.
Diante das incoerências dessa defesa inicial, um outro advogado foi acionado para entrevista ao JH. Agora, as coisas parecem um tanto mais confusas. Arsênio Pimentel ataca o Ministério Público de várias formas:
1) Primeiro diz que Gilmar recebeu promessa de delação premiada para dizer o que disse (então, o que disse é verdade?);
2) Afirma que se fosse levado a sério o depoimento de Gilmar, o caso teria saído da Vara Criminal e sido encaminhado para o "STJ ou STF" (então não é real o que ele disse? Estou confuso agora. De todo modo, o foro do senador seria o STF, não o STJ).
3) Pimentel afirma que Gilmar apenas assinou o que foi escrito pelo MP, não correspondendo ao que ele disse: "Não há delação premiada. Porque tudo o que Gilmar 'falou' o Ministério Público já sabia. Falou o quê? Porque tem um texto escrito e a assinatura de Gilmar embaixo. Aí ele 'falou'. Não! Gilmar apenas assinou um papel". Esse confuso relato me fez lembrar um depoimento dado sob tortura. Será que o advogado está insinuando que os promotores que colheram o depoimento torturaram o réu?
4) O advogado desconsidera o depoimento de seu cliente pelo fato de as investigações terem indicado agentes com prerrogativa de foro, como governadora, senador e desembargadores, mas o inquérito permaneceu na 6a Vara Criminal. No entanto, o próprio Ministério Público já esclareceu em diversos momentos que repassou todos os indícios que envolvem pessoas com prerrogativa para as devidas instâncias - sem prejuízo da continuidade das investigações.
Mais interessante é que nas novas declarações surgiu o nome do remédio supostamente tomado por Gilmar (Frontal), não se fala mais em depoimento sem acompanhamento de advogada nem se insinua que Gilmar teria sido levado do hospital para prestar depoimento. Ou seja: mudança de advogado e de alegações. É de se esperar que mude novamente.
Reitero: a defesa mete os pés pelas mãos e se enrola mais ainda.

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