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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Segundo episódio da série da ESPN sobre a Copa em Natal

Em Natal, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, centenas de desapropriações ameaçam a vida de moradores e comerciantes. O projeto inicial apresentado pelo Comitê Organizador Local (COL) previa que 1.200 famílias deveriam deixar suas casas, mas o número foi reduzido após mobilização popular. Hoje, estão previstas 429 desapropriações residenciais, 119 comercias e 41 em terrenos particulares e públicos. Os moradores, porém, ainda não sabem para onde irão.


O comerciante Abimael Lopes Pereira, que mora em cima de seu comércio, disse que foi proposto a ele uma casa do projeto Minha Casa, Minha Vida. "Só que a minha casa e a minha vida são isso aqui", disse, apontando para onde vive. Ele ainda revelou que o local onde mora e trabalha deve valer cerca de R$ 900 mil, mas que deve receber pouco mais de R$ 200 mil. "Dá vontade de pegar uma corda, colocar no pescoço e se enforcar", esbravejou.

No Complexo Viário da Urbana, todas as casas serão derrubadas. Cícero, funcionário aposentado da prefeitura, revelou que jamais imaginou ter de deixar seu lar após mais de 50 anos. "Eu gosto de morar aqui, foi onde criei meus filhos e vivo aqui. Não sei onde vou morar. Eu não sei o que vai acontecer não, vou sair na marra".

Reprodução/ESPN

Eloisa Arruda, estudante líder da associação potiguar dos atingidos pelas obras da copa, luta para tentar amenizar os problemas, mas conta que a comunicação com a prefeitura é falha. "A Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo enviou um ofício, que diz que podemos entrar em contato. Mas o telefone não funciona quase nunca, só consegui falar uma vez, e ai ficam passando a ligação. Não vejo nenhuma disponibilidade por parte deles em negociar".

"A gente mora aqui há 20 anos, eu tenho vizinhos que moram aqui há 30 anos e que não querem sair, porque a gente não sabe com vai ser a vida em outro lugar", desabafou a jovem.

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