Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O patrão bonzinho

Como se já não bastassem todos os problemas que envolvem a Copa do Mundo em Natal, esta semana os trabalhadores da construção da Arena das Dunas paralisaram as obras.
O motivo era simples: um aumento nos salários (de cerca de 800 reais para um pouco mais de mil) e plano de saúde. Como se vê, pedidos nada absurdos - ainda mais para quem trabalha em atividade de alto risco. Impressionante pensar, aliás, que alguém possa estar numa atividade de construção civil sem a cobertura de um plano de saúde.
Ricardo Rosado, ao repercutir a nota do Consórcio liderado pela OAS, informou que uma minoria paralisou as obras - e torrou a paciência do natalense, segundo a expressão utilizada com o fim de desqualificar a mobilização dos trabalhadores. De duas uma, então. Ou essa minoria representava todos e era muito poderosa para paralisar as obras, ou os demais não estavam trabalhando.
O pior é vender a idéia do patrão bonzinho, como se apresentou a construtora:

"O Consórcio Arena Natal em razão da paralisação de fração dos trabalhadores, ocorrida nas datas de 19 e 20 de março do corrente ano, causadora de várias notícias veiculadas na imprensa, vem a público esclarecer que respeitou, em todos os momentos, integralmente, a respectiva convenção coletiva firmada em novembro de 2011, honrando, assim, todos os valores de salários, benefícios e demais parcelas acessórias, além de fornecer perfeitas condições de trabalho, agindo em estrita legalidade, o que impede de reconhecer qualquer pleito dos empregados em sentido oposto.

Todavia, aliando pleno respeito aos trabalhadores e à sociedade, e principalmente com a necessidade de continuidade da obra tão importante para o povo potiguar e brasileiro, o Consórcio Arena Natal, agindo em mera liberalidade, resolveu pactuar com os trabalhadores, que aceitaram cessar com a paralisação, retornando as atividades regulares já na data de 21.03.2012.

Atenciosamente

Consórcio Arena Natal"

Quer dizer: o Consórcio diz que está tudo bem, legal, e que resolveu atender o pleito dos trabalhadores por "mera liberalidade". Ou seja, vou atender porque sou bonzinho.
Essa história de me fez lembrar um caso contado acerca de um empresário, crente e comunista, do ramo metalúrgico em Mossoró. Dizem que nas greves do final dos anos 70, os trabalhadores dele se recusavam a parar porque ele era um patrão muito bom - ao que ele respondia dizendo que não existe patrão bonzinho. E alguém quer me convencer que a OAS é uma patroa boazinha?

Comentários

Postagens mais visitadas