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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#NatalMinhaCasaMinhaVida estimula debate sobre a cidade

Nesta tarde realizamos um tuitaço com a hashtag #NatalMinhaCasaMinhaVida.  A expressão foi usada pelo senhor Abimael Pereira em uma das sete matérias realizadas pela ESPN aqui em Natal mostrando a realidade da violação de direitos e abusos cometidos pelo poder público em prol da Copa do Mundo 2014 em Natal.  Essa realidade, aliás, não se dá assim apenas em Natal.
Um certo bairrismo e uma inocência pueril e ufanista se levantaram contra a emissora multinacional.  Mas essa não é a questão.  Porta-vozes do poder público se preocuparam em desqualificar os atores sociais da cidade que se organizaram na forma de uma associação (a APAC) e um Comitê Popular.
Mas isso é inescapável.
Falta transparência e sobra truculência nas ações do poder público municipal e estadual. E a violação de direitos continua, com raras e honrosas exceções, invisível nas pautas da imprensa local - e nas rodas de conversa.
Por isso, quem critica as acões públicas e quem defende a luta dos atingidos é automaticamente tachado de duas coisas: ser contra a Copa e ser contra o desenvolvimento da cidade.  Pueril.  Ninguém em sã consciência é contra a Copa ou o desenvolvimento da cidade.  Aliás, todos, unanimemente, sabem que Natal - e o país - pode estar perdendo uma oportunidade rica de realizar obras estruturantes realmente necessárias e construir um legado positivo e desenvolvimento social, econômico e ambiental.
Não é essa a realidade em nossa cidade.  Infelizmente.  A prefeitura e o governo do estado se fecharam ao diálogo - e as suspeitas se dirigem a todas as etapas do processo: é ou não para se pensar o fato de que apenas uma empresa - justamente a OAS com ligações históricas e familiares com o DEM - se apresentou para construir a Arena das Dunas?  É ou não estranho que um estádio público seja substituído por um estádio privado, pelo qual os cofres públicos (o meu e o seu dinheiro), pagarão durante duas décadas mais de R$ 1 bilhão?  É ou não para se indignar conhecer a história de 429 famílias que já sabem que serão desalojadas mas não têm quaisquer outras informações a respeito - quanto será a indenização, para onde irão?  É ou não para se horrorizar ouvir da boca de secretários da prefeitura que há transparência nas ações municipais da Copa - e quando fala sobre transparência diz que qualquer cidadão pode ir à prefeitura para conhecer os projetos, em vez de dispor o material fundamentalmente público no site da prefeitura?
O tuitaço dessa tarde pode ter nos ajudado a retirar do véu do esquecimento e do silenciamento local a luta dos cidadãos que, não sendo contra a Copa, não podem admitir ficar sem esperanças, sem bens, sem diálogo.
#NatalMinhaCasaMinhaVida foi acusada de ser eleitoreira aqui no blog. Evidente equívoco.  Discutir a cidade e os direitos humanos dos moradores da cidade não é falar em eleições, mas sim em desenvolvimento da cidade e das pessoas.

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