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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#NatalMinhaCasaMinhaVida estimula debate sobre a cidade

Nesta tarde realizamos um tuitaço com a hashtag #NatalMinhaCasaMinhaVida.  A expressão foi usada pelo senhor Abimael Pereira em uma das sete matérias realizadas pela ESPN aqui em Natal mostrando a realidade da violação de direitos e abusos cometidos pelo poder público em prol da Copa do Mundo 2014 em Natal.  Essa realidade, aliás, não se dá assim apenas em Natal.
Um certo bairrismo e uma inocência pueril e ufanista se levantaram contra a emissora multinacional.  Mas essa não é a questão.  Porta-vozes do poder público se preocuparam em desqualificar os atores sociais da cidade que se organizaram na forma de uma associação (a APAC) e um Comitê Popular.
Mas isso é inescapável.
Falta transparência e sobra truculência nas ações do poder público municipal e estadual. E a violação de direitos continua, com raras e honrosas exceções, invisível nas pautas da imprensa local - e nas rodas de conversa.
Por isso, quem critica as acões públicas e quem defende a luta dos atingidos é automaticamente tachado de duas coisas: ser contra a Copa e ser contra o desenvolvimento da cidade.  Pueril.  Ninguém em sã consciência é contra a Copa ou o desenvolvimento da cidade.  Aliás, todos, unanimemente, sabem que Natal - e o país - pode estar perdendo uma oportunidade rica de realizar obras estruturantes realmente necessárias e construir um legado positivo e desenvolvimento social, econômico e ambiental.
Não é essa a realidade em nossa cidade.  Infelizmente.  A prefeitura e o governo do estado se fecharam ao diálogo - e as suspeitas se dirigem a todas as etapas do processo: é ou não para se pensar o fato de que apenas uma empresa - justamente a OAS com ligações históricas e familiares com o DEM - se apresentou para construir a Arena das Dunas?  É ou não estranho que um estádio público seja substituído por um estádio privado, pelo qual os cofres públicos (o meu e o seu dinheiro), pagarão durante duas décadas mais de R$ 1 bilhão?  É ou não para se indignar conhecer a história de 429 famílias que já sabem que serão desalojadas mas não têm quaisquer outras informações a respeito - quanto será a indenização, para onde irão?  É ou não para se horrorizar ouvir da boca de secretários da prefeitura que há transparência nas ações municipais da Copa - e quando fala sobre transparência diz que qualquer cidadão pode ir à prefeitura para conhecer os projetos, em vez de dispor o material fundamentalmente público no site da prefeitura?
O tuitaço dessa tarde pode ter nos ajudado a retirar do véu do esquecimento e do silenciamento local a luta dos cidadãos que, não sendo contra a Copa, não podem admitir ficar sem esperanças, sem bens, sem diálogo.
#NatalMinhaCasaMinhaVida foi acusada de ser eleitoreira aqui no blog. Evidente equívoco.  Discutir a cidade e os direitos humanos dos moradores da cidade não é falar em eleições, mas sim em desenvolvimento da cidade e das pessoas.

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